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10 000 Russos ‘Superinertia’ ⟡ CAVERNANCIA

Sáb27.11.2122:00
Galeria Zé dos Bois


10 000 Russos

Lançamento do álbum Superinertia

Trio portuense indispensável, é já intensa a sua história. Uma vida de quase uma década a operar no lado mais hipnótico do rock, sempre com uma discografia consistente e pertinente. A velha máxima do minimalismo de que “mais é menos” parece definitivamente enquadrá-los, mas não limitar-los. É nessa contenção deliberadamente controlada que encontram um fulgor que nunca se apaga.

Superinertia é o quinto álbum de 10 000 Russos que acaba de ser editado pela londrina Fuzz Records. Investida robusta no que acima foi descrito, fazendo para isso uma evocação muito vívida do krautock alemão e algum stoner norte-americano. A ascensão da sua música predispõem-nos a despegar para outras paragens. Uma sensação que não é certamente inocente; este disco é afinal descrito como grito ao estado de inércia que o ser humano vive na sociedade ocidental. Alienação, histerismo e tantas outras definições demasiado familiares a todos. Talvez até político na sua visão, lança-nos indiretamente questão para a mãos. Numa banda que procura constante nervo, a inclusão de sintetizadores neste disco apenas contribuiu maximizar toda a essência – e descortinar outras luzes. Mais estelar e menos telúrico, este efeito surge não na lógica de anulação, mas sim de complemento – e porque não, de expansão? Essa mesma expansão da sua música é real e estes 10 000 Russos têm a força e o coração de uma armada.
Nesta que será a apresentação, em primeira mão, de Superinertia, surge a oportunidade de sentir os graves das colunas e ver as paredes suarem enquanto o xamanismo sónico toma conta da sala. NA

CAVERNANCIA

Pedro Roque tem o detalhe de fotógrafo, possuindo já um extenso trabalho não só na área da imagem, como também na música de raiz punk – e tudo o que poderá embarcar nessa esfera. CAVERNANCIA é o projecto agora materializado com “em ciano”. Uma edição em cassete por parte da Nariz Entupido que traz essa visão de bola de fogo em velocidade de cruzeiro. Trabalho francamente bravo que mergulha em três capítulos em redor do ruído, gravações de campo e paisagens agrestes. Vulcânico por natureza, traz uma multiplicidade de escutas e interpretações possíveis a quem o escuta. Uma audição depurada que encontra refúgios, pontes e trilhos para a matéria bruta com que cria este álbum. Também por isso, Roque tem aqui um laboro de artesão, sabendo dar forma e disposição sem esquecer a entrega humana que faz tudo acontecer. Uma descida ao centro da terra, como um dia imaginado por Julio Verne, traduzida pelo som em crepitação. Música maior.

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