ZDB

Artes Visuais
Exposições

ANIMAL FARM

— exposição de João Maria Gusmão

02.02 — 03.03.24
99 Canal — 99 Canal Street, 6th Floor, New York, NY 10002, USA

Terça a Domingo | 16h-22h

Ou por marcação:
marco.bene@zedosbois.org
WhatsApp: +34 662 54 64 46

Solar farm, 2023, Vertical 16mm film projection, color, no sound, 2’53’’
Day for night, 2023, 16mm film, color, no sound, 2’28’’
Flat cows make nice yogurt, 2023, 16mm film, anamorphic projection, color, no sound, 8’43’'
Flat cows make nice yogurt, 2023, 16mm film, anamorphic projection, color, no sound, 8’43’'
Ghost tape, 2021, 16mm film, color, no sound, 3’22’’. Produced by Fundação de Serralves
Landscape with boat and river, 2023, 16mm film, color, no sound, 2’48’’
Mozart’s piss stone, 2023, 16mm film, anamorphic projection, color, no sound, 5’13’’
My uncle’s castle, 2023, 16mm film, color, no sound, 2’28’’
Rooster at dawn, 2023, 16mm film, color, no sound, 2’33’'
Sunflower at dusk (v1), 2023, Vertical 16mm film projection, color, no sound, 2’42’’
The wondrous pumpkin farm (Kurbishof Wunderlich), 2023, 16mm film, color, no sound, 11’56’’
The wondrous pumpkin farm (Kurbishof Wunderlich), 2023, 16mm film, color, no sound, 11’56’’
The wondrous pumpkin farm (Kurbishof Wunderlich), 2023, 16mm film, color, no sound, 11’56’’

Estimados Camaradas, a ZDB (Lisboa) e a 99 Canal (NY) têm o prazer de apresentar Animal Farm de João Maria Gusmão, a sua primeira exposição individual em Nova Iorque após quase duas décadas de colaboração com Pedro Paiva. A exposição será apresentada, pela primeira vez, no espaço sem fins lucrativos 99 Canal - de 2 de Fevereiro a 3 de Março de 2024, de Terça a Domingo, das 16h00 às 22h00 - seguindo-se uma segunda iteração no final de Maio, na ZDB. Animal Farm tem a curadoria de Marco Bene.

Animal Farm convida o observador para uma odisseia visual marcada pelo consolo pastoral, pelos menestréis animistas e pelos enigmas metafísicos – fantasmas, ghouls e goblins – oferecendo vislumbres fugazes de uma alteridade existente entre a techne e a poiesis, o humano e o não-humano, o nocturno e o diurno. Através de mais de uma dúzia de novas projecções em película de 16 mm, somos convidados a explorar as mais recentes conquistas de uma longa investigação sobre meios analógicos e conceitos analógicos. Uma viagem em direcção a um distanciamento ecológico da paisagem rural extractivista.

Para este desafio, o artista português propõe uma abordagem distinta ao seu trabalho, moldando as instâncias de contemplação estética e ancorando-as na cadência circadiana da metrópole. É apenas sob os raios desvanecedores da cidade que nunca dorme que as projecções de 16 mm ganham vida, revelando as entidades radiantes que as habitam. É, por assim dizer, uma exposição para noctívagos, criaturas do escuro e vespertinos.

Ao mesmo tempo que se pode comparar Animal Farm com o conto de fadas de Orwell, Gusmão apresenta um enigma estruturalista: a natureza espetral do meio cinematográfico, apontando-nos para uma fenomenologia “estranha”; uma espécie de assombração – o estudo da natureza do que se situa entre o ser e o não-ser entre as criaturas domesticadas e selvagens do rancho – uma ontologia vicária!

Em Animal Farm, Gusmão submerge-nos no seu mundo idiossincrático de explorações e opiniões para-históricas, para-científicas e para-filosóficas, intrinsecamente entrelaçadas em cada fita de celuloide.

Nas salas iluminadas pelo horizonte noturno do centro financeiro, podemos reparar (ou não) no Rooster at dawn, que assinala o início de mais um dia; numa Ghost tape que ecoa os sons da sua própria morte; num bando de patos a dançar a valsa numa natureza morta intitulada Landscape with Boat and River; Half a horse; uma humilde propriedade dedicada à exploração do sol, ou seja, uma Solar farmFermented Foam, uma enigmática gosma que lembra um produto lácteo, ladeada por Flat cows make nice Yogurt, um relato vivo de bovinos geneticamente modificados com encefalopatia espongiforme – feral!; uma colecção de quartos de dormir do purgatório; o seu olhar nostálgico para My Uncle’s Castle, outrora do seu avô e agora da casa de campo do seu primo, imerso numa mise en abyme de herança ressentida e direito de nascença; Noite americana, uma saudação cinematográfica a The Empire of Light de Magritte; um pedaço de Mustard imbuído de conotações escatológicas; um Sunflower at dusk varrido por uma tempestade nuclear; The wondrous pumpkin farm; Mozart’s piss stone, o menir outrora marcado pelo próprio Amadeus com a gasolina de uma nave espacial da idade da pedra; a ciência é ficção!

E, assim, o termo cunhado por Derrida ao proferir uma conferência intitulada “The Animal that Therefore I Am” (“O animal que, portanto, eu sou”) reverbera mais uma vez: zoopoética!

Forward, comrades! Long live the windmill! Long live Animal Farm!
(Avante, camaradas! Viva o moinho de vento! Viva a Quinta dos Animais!)

George Orwell

João Maria Gusmão

Over the last twenty years, João Maria Gusmão (Lisbon, 1979) has developed an enigmatic and complex set of practices and meta-practices ranging from experimental film to pho- tography, encompassing sculpture and drawing, and extending to literature, exhibition curating and publishing. JMG’s research stands at the crossroads between a metaphysical reflection on the aesthetics of photography and early cinema, a conceptual examination of the analogue medium, the revival of certain Modernist experiments within literature and particular currents in contemporary philosophy (transcendental materialism and specu- lative realism). His installations are evocative of a non-diegetic experiment in the moving image organized not as a replacement of the world but as a spectral and mnemonic manifes- tation of its removal. Hinging on a “mental experience” of time/image, his work attempts to stimulate a remote awareness in the observer both in discursive terms, reflecting on the conditions of visibility (the essence of image/theory), and in the phenomenological experience in general (duration/description), questioning our modes of existence and the representation of the world. JMG has expanded his work as an artist collaborating with different artists, curators and publishers on various contemporary art platforms. His long, multidisciplinary and prolific collaboration with Pedro Paiva (from 2001 to 2018) was par- ticularly notable for their highly composite 16mm film footage shown in immersive installa- tions using various projection devices. In the words of Chris Fitzpatrick, JMG+PP are artists dedicated to “charting a line of naturalist inquiry in the abyss—peripatetically assaying its contents through biological and technical comparisons, philosophical demonstrations, psychological illustrations, and para-scientific observations (often with considerable over- lap).” Based on periods of cinematographic production and the use of alternative cinematic techniques, these creations were combined in themed exhibitions which, as a whole, com- prise the conceptual and poetic corpus of their joint work (Eflúvio Magnético [Magnetic Effluvium] 2003-06; Abissologia [Abyssology] 2008-12; Papagaio [Parrot] 2014-16; Avantesma Fantasma, 2016-19).

Gusmão and Paiva’s work has been shown in various monographic exhibitions around the world. Of particular note is Papagaio, which was exhibited in Milan (Hangar Bicocca, 2014), London (Camden Art Centre, 2015), Berlin (KW, 2015) and around Germany: Kunsthalle Dusseldorf in 2011, Kolnischer Kunstverein in 2015 and Haus der Kunst in Munich in 2016. Other highlights include the exhibitions The Sleeping Eskimo, at Aargauer Kunsthaus, Aarau, Switzerland, in 2016; Um mês sem filmar [A Month Without Filming], at REDCAT, Los Angeles, in 2015; and Alien Theory, at Frac Île-de-France, Le Plateau (Paris), in 2011. In late 2021, JMG and PP held a large retrospective of their joint work, titled Terçolho, at the Museu de Serralves in Porto, Portugal. The artists also took part in several international biennials: 27th São Paulo Biennial in 2006; 6th Mercosul Biennial, Porto Alegre(Brazil), in 2007; and Manifesta 7 (Italy) in 2008. JMG and PP represented Portugal at the 53rd Venice Biennale and participated in the 55th edition of the event curated by Massimiliano Gioni in 2013.

Their work features in various international museum collections, among which the Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, MACBA, Centre Georges Pompidou, Tate Modern, SFMOMA, Philadelphia Museum of Art, Nouveau Musée National de Monaco and the Museu de Serralves.
In February 2020, Gusmão joined Celia Bernasconi, curator of the NMNM in Monaco, to create an exhibition on the work of Eugène Frey (1863-1930), one of the last pioneers of the magic lantern. The show was dedicated to an alternative history of the moving image for which the museum commissioned various installations from the artist. Gusmão has estab- lished long standing partnerships with other agents in the contemporary art field, creating content and written material for projects with Natxo Checa and ZdB, and collaborating with artists like: Alexandre Estrela, Mattia Denisse and Gonçalo Pena. An example of this is the project Lua Cão, which he developed with Paiva and Estrela (with Natxo Checa, as curator), and was shown in Lisbon by ZDB in 2017,at Kunstverein Munchen and at La Casa Encendida in Madrid in 2018.

Gusmão has also published and edited several books on his oeuvre through Mousse Publishing and Pato em Pequim (his own publishing house), and curated several exhi- bitions by Gonçalo Pena at Galeria Graça Brandão, ZDB (co-curated with Natxo Checa), Kunstverein Munchen (co-curated with Pedro Paiva), Andrew Kreps in New York, Galleria Zero in Milan (co-curated with Pedro Paiva), and Cristina Guerra in Lisbon. As well as books and exhibitions by Mattia Denise, for example, the exhibition Pau-Podre at Rialto6 in Lisbon in 2022 or the catalog Mattia Denisse: Tout Encyclopaedia in 2023. In 2022, he also co-curated a monographic exhibition on the work of Mauro Restiffe with Natxo Checa at ZDB, Lisbon. Recently Gusmão has also published via Pato em Pequim and Mousse Publishing a monograph titled Massa Confusa.

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