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Concertos

Bing & Ruth ⟡ Angélica Salvi [Nova data]

Galeria Zé dos Bois

Bing & Ruth

Algures na vasta fronteira que separa o minimalismo e a música neo-clássica/contemporânea no contexto da música popular de catalogações mais ou menos amplas e mutáveis, Bing & Ruth encontra-se sempre no lado certo da trincheira, fazendo pontes invisíveis entre escolas, histórias e geografias com natural sentido de direcção e contexto. Ou seja, estamos mais no campo da estaticidade aparente mas emocionalmente ressonante de Steve Reich, Max Richter ou Stars of the Lid do que da contemplação melodramática mas balofa de algum Philip Glass, Sakamoto ou Michael Nyman. Com pontos de contacto actuais com gente e projectos como A Winged Victory for the Sullen, Andrew Chalk ou Lawrence English, o projecto capitaneado por David Moore tem vindo a laminar o seu som, abatendo o seu ensemble de modo a chegar em 2017 à 4AD com ‘No Home of the Mind’. Uma progressão natural que foi cortando com aquilo que existia de mais supérfluo ou excessivo no orquestral ‘City of Lake’ de 2010, para se acercar do drone já na respeitosa RVNG Intl. com ‘Tomorrow was the Golden Age’ e se cristalizar numa música em movimento contínuo capaz de evocar a beleza suspensa de Erik Satie ou a hipnose de La Monte Young num mesmo fôlego. Após passagem pelo Aquário por alturas do lançamento de ‘No Home of the Mind’, o projecto de Moore visita novamente este espaço em plena digressão mundial de preparação para um novo álbum a sair na Primavera. Reduzindo ainda mais a formação já de si económica que gravou o seu antecessor, este novo disco encontra Moore enamorado pelo som do órgão, apresentando Bing & Ruth em palco como um trio onde esse instrumental central se junta ao clarinete e ao baixo. Voltando a incorrer “numa gestalt em que notas lânguidas se vão enredando numa aquosidade sonora de textura, lirismo e evocação, sem nunca resvalar para as armadilhas do ambient mais funcional ou da nostalgia new age”, a nova música de Bing & Ruth vive dos gestos essenciais do minimalismo, da repetição hipnótica, dos silêncios e das respirações. Sempre como via para a beleza. Bem vindos de volta. BS

Angélica Salvi

Harpista espanhola a residir no Porto desde 2011, Angélica Salvi tem sido uma artista particularmente activa por entre a comunidade multiforme dessa e de outras cidades, entre colaborações e aparições a solo que se espalham em diversos contextos, do jazz e da música improvisada, à composição electro-acústica e electrónica, sempre com um cunho muito pessoal. ‘Phantone’, editado no final do ano passado pela Lovers & Lollypops, é um passo afirmativo desse seu percurso solista, num álbum onde o teor já de si onírico das cordas da harpa se reveza na repetição e suas vias para a transcendência – impossível não pensar em Alice Coltrane claro. Clara e de uma beleza planante, a música de Salvi toca a melodia, a ressonância e o movimento com uma parcimónia quase beatífica. BS

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