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Borshch Nacht #1 c/ Puce Mary ⟡ Ivy’s Hands

Sex20.03.2022:00
Galeria Zé dos Bois

Puce Mary

Como se a física quântica de Bohr, a fragilidade humana de Von Trier ou os contos de Christian Andersen não fossem suficientes, também a dinamarquesa Puce Mary parece explorar a imaginação e a possibilidade; quase indissociáveis, até. A criação de espaços mentais ou a sinestesia gerada pela sua arte, são resultados tão naturais quanto inevitáveis, de quem decide romper com uma realidade familiar, confortável e apaziguadora. Na verdade, tudo elementos antagónicos na obra The Drought, possivelmente um dos discos mais desafiantes que escutámos em 2018 — e um motivo forte para continuar a segui-la nos próximos.

Membro do colectivo Posh Isolation, um dos epicentros da nova música europeia, ela reúne-se de um campo magnético de ruído e electricidade estática como habitat de uma música, que há falta de outro termo, simplesmente se definiria como transgressora. As escutas e suas percepções a quente, poderão indiciar uma reinterpretação per se, de tantas outras encarnações do noise ao industrial; fale-se de Whitehouse, estabeleçam-se elos com os Wolf Eyes e nunca se esqueça do enorme contributo dos Throbbing Gristle a todo este viveiro. Nomes que fazem sentido para entender numa primeira abordagem, mas que se esvanecem, com subtileza, quando a real audição avança – e eventualmente se perde nesse labirinto de tensão e suspense que a artista cuidadosamente constrói.

Ainda que o ponto de partida se faça através de uma estética atonal e desconcertante, não se poderá limitar um disco como The Drought apenas a cunho de cinco letras; e se existe vida para além desse cunho noise, Puce Mary materializa-o. E trata-se de um laboroso de composição e empatia, sabendo extrair sensações e provocar algo desconhecido através de sons em estado bruto. Nada surge de forma gratuita e cada momento parece assumir-se como uma forma vital num todo. Até mesmo a capa de The Drought se apresenta altamente sedutora e profana (em iguais proporções), digna de um enigmatismo que só tende a crescer com o mergulhar neste buraco negro.

Em palco, partilha uma experiência próxima de uma natureza ritualista. Surge munida de uma extensa maquinaria e presença plena de urgência — abrindo fendas em redor. É com enorme entusiasmo que a recebemos de novo. NA

Ivy's Hands

Desde 2017, que Ivy’s Hands tem mostrado a verdadeira natureza de si próprio. Nesta noite traz-nos um live do seu primeiro álbum lançado pela Borshch: Leonor (2019), baseia-se numa história profundamente pessoal e trágica, é um requiem para uma alma perdida. Emoção abundante nesta noite especial.

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