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Música
Concertos

Frankie Cosmos ⟡ Ian Sweet

dom14.04.1922:00
Galeria Zé dos Bois


Frankie Cosmos

Há em Apathy, faixa de Vessel (Sub Pop) de Frankie Cosmos (nome artístico de Petra Kline) um momento em que julgamos escutar Kim Deal. A sensação é tão forte (até o riff é uma reminiscência) que se aguarda o familiar refrão. Em vez disso, o que se ouve é uma voz delicada, vulnerável, com as guitarras acompanhá-la, compondo uma melodia-miniatura-canção. Ressalve-se, antes que a confusão se instale: o minimalismo, a simplicidade das melodias, a leveza dos arranjos são elementos habitualmente associados, e com justiça, a Frankie Cosmos, mas esta escritora de canções nova-iorquina transcende clichés e formatos. É certo que não neutraliza influências do passado – Kim Deal (nos Pixies ou nos Breeders), Mary Timony (nos Helium ou a Solo), as Heavenly ou as Talulah Gosh habitam-na – mas há na sua voz um tom cristalino que arredonda as palavras ao ponto de as tornar quase tangíveis e, na sua lírica, uma atenção ao particular que tem o mérito de tornar universais sentimentos, situações, experiências, pensamentos. Por vezes, até, o som das guitarras e da bateria parecem apenas estar ali para criar um halo à volta das letras e vozes, para iluminar o que é cantado. E o que é cantado por Frankie Cosmos? Tome-se, como exemplo, uma mão de canções de Vessel (2018), o seu disco mais recente: é cantado o corpo (em “Accomodate”), as relações humanas (“Hereby”), a morte (“Bus Bus Train Train”), a comunicação (em “As Often I Can”), a alienação do mundo antes do regresso ao mundo (em “Being Alive). Cosmos não é apenas uma observadora do quotidiano, que sabe apreender o anedótico e o episódico, é uma artista que reconsidera as experiências, pelas palavras que o pensar solicita, transfigurando as suas impressões de um modo que as torna universalmente acessíveis. E nesse processo, nesse fazer, a música não é um mero adorno. Fundada na história do indie-pop, (mas não só: na maravilhosa e solitária “My Phone” ecoam frases e tons próximos dos Sibylle Baier e Vashti Bunyan) guia, fortalece, condiciona (também), atribuindo-lhe formas, a visão poética, irónica, alegremente estóica do mundo que Frank Comos vem cantar nesta noite. Ouçam e talvez se reencontrem e o reencontrem nas suas esquinas, avenidas, ruas e pátios. JM

Ian Sweet

Ian Sweet é o nome artístico de Jilian Medford que dois anos após do lançamento do LP de estreia Shapeshifter, regressa aos discos com Crush Crusher, lançado em Outubro deste ano pela Hardly Art.

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