ZDB

Artes Visuais
Exposições

Jaz aqui, na pequena praia extrema

25.07 — 28.09.13
Galeria Zé dos Bois

Exposição produzida no âmbito da 5ª edição das ‘Residências Artes Visuais ZDB’ com Alexandre Rendeiro, Ana Baliza, Carlos Gaspar, David Guéniot, Eugénia Mussa, Filipe Felizardo, Gustavo Sumpta, Gwendolyn Van Der Velden, Inês Botelho, Lúcia Prancha, Patrícia Almeida, Marta Furtado, Natxo Checa, Ricardo Barbeito, Sérgio Carronha, Sílvia Prudêncio, Tatiana Macedo, Tiago Baptista, Tiago Borges, Yonamine.

Jaz aqui, na pequena praia extrema é um projecto colectivo de carácter experimental que – sublinhando o carácter inacabado da obra de arte – age de forma contida, despojada, onde se dilui a noção da autoria individual: tudo foi debatido por todos, na procura de possíveis consensos. O título da exposição, retirado da Mensagem de Fernando Pessoa, expande, aqui, o seu contexto original de reflexão sobre a nação (um país à espera de se concretizar) em direcção a um território mais amplo: o do humano e seu ímpeto civilizacional, simultaneamente criador e destruidor. Retomando a noção de conflito, é necessário um embate, um confronto, com o que existe de mais profundo e íntimo em cada um de nós, para que, desse lugar cavernoso e obscuro possa surgir a luz, talvez dizer, que é necessário destruir para dar nascimento, e prosseguir assim com o ideal humano de se sonhar a si próprio, essa elaboração de um projecto sempre em ascensão.

Assim, a exposição estrutura-se, literal e metaforicamente, sobre um conjunto de traves de madeira que ocupam todo o primeiro piso e nos colocam perante a fragilidade do edifício e do seu sustento. Confrontando-nos com essa realidade desoladora, de que tudo assenta sobre bases perecíveis e volúveis. Apresentadas em bruto e sem qualquer iluminação, as vigas de madeira aparecem débeis, encenando um espaço em que a obra se concretiza na sua vivência; uma experiência de deambulação por um espaço vazio, que é uma espécie de antecâmara precária a preparar a subida ao segundo piso. Aqui, à fragilidade da madeira, opõe-se o peso da pedra; o chão está coberto de entulho: restos de tijolo, fragmentos de azulejos partidos, cimento, detritos do que outrora terá sido construído e que entretanto se desmoronou. Como se pudéssemos pisar um chão feito de destruição e ruína… Mas eis que, sobre os escombros, feixes de luz nos fazem esquecer o cheiro próprio do entulho. A obra de arte rasga, intervém, surge como prova de um humano ainda porvir. É o apelo à magia primordial da luz e à força evocativa da imagem perpetuamente reanimada pelo olhar que a atravessa, imbuindo de vida objectos e imagens. Como nos diz Emily Dickinson: se eu tenho sensação de que a cabeça, é como se estivesse a ser-me arrancada, eu sei que é poesia. No fundo, o lugar de toda esta erupção é a marca de uma vivência transformadora e que espera, agora, continuar a agir: agente activo e espaço de encontro.

 

Dia 3 de Outubro –  Encerramento: Visita guiada; conversa; jantar; performance.

A 5ª edição das ‘Residências Artes Visuais ZDB’ decorreu entre 8 de Abril e 25 de Julho de 2013

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