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Música
Concertos

Ka Baird

qua08.05.2422:00
Galeria Zé dos Bois


Ka Baird @Samantha Riott

Figura já com algumas passagens bem acarinhadas por estes lados, Ka Baird acumula já mais de duas décadas de um trabalho continuado e à margem de quaisquer pressão externa desde que formou no início deste século as Spires That In The Sunset Rise. Combo de nome evocativo, criador de uma aura psicadélica muito em consonância com o movimento de ascensão patente nesse mesmo nome, e que foi deixando diversos álbuns de encantamento onde se descortinavam algumas coordenadas que Baird bravamente viria a trilhar a solo. Deixando cair as tendências mais folky de quem manda cogumelos à volta da fogueira para assim invocar os seus fantasmas, Baird atinge estados igualmente lisérgicos por vias menos identificáveis e, dizemos nós, mais intrigantes.

Actualmente sediade em Nova Iorque, Baird tem operado manobras hipnóticas que tanto se entregam a uma elevação mental quanto a uma intensa fisicalidade na abordagem. Recorrendo à sua voz, instrumentos de sopro, percussão, improvisações ao piano e diverso processamento electrónico, Baird traça uma linhagem muito singular onde a voz, nas suas inúmeras multidimensões, se assume como fluxo canalizador para todas as outras fontes. ‘Spropelic Pycnic’, disco primeiro em nome praticamente-próprio, e denominação de uma anterior encarnação a solo ainda sob a alçada de uma folk espectral, encarreirou os seus estudos em torno da electro-acústica e das propriedades transcendentais do som numa música que tanto projectava as visões de Sun Ra/Alice Coltrane como a “voz primordial” de Joan La Barbara e que teria tomo definitivo com ‘Respires’, lançado em 2019 pela RVNG Intl. Álbum aclamado, vincava ainda mais essa sua demanda, onde uma assumida influência do minimalismo e do potencial transformativo da repetição trazia todo um fôlego rítmico até então pouco notório. Portais, inspirados na escrita de Donna Haraway e onde a voz, enquanto canal, se despia de significados estanques para assumir novos simbolismos. ‘Bearings – Soundtracks for the Bardos’, com saída iminente pela RVNG Intl. é a continuação lógica desse trabalho, através de 11 peças que recolhem todas essas partículas para as amplificar de uma valência absoluta, plenas no cuidado com os arranjos e com uma capacidade muito sensitiva de extravasar normas e espaços. BS

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