ZDB

Música
Concertos

keiyaA ⟡ Demae

Seg29.11.2122:00
Galeria Zé dos Bois


© Neva Wireko
© Ian Davies

keiyaA

Voz revelada o ano passado com o magnífico disco de estreia Forever, Ya Girl, Chakeiya Richmond assina enquanto keiyaA uma das mais genuínas e promissoras aventuras para os próximos anos. É sem bolas de cristal, mas com a intuição do real, que a artista tem angariado curiosidade e reverência em seu redor. Escutá-la, com aquela entrega confessional e noção sempre certa de que less is more, recorda-nos a lição dada por Kendrick Llamar com good kid, m.A.A.d city. A narrativa das canções ou a irreverência estética na produção ressaltam de imediato, numa novela sonora algures entre a visão do afro-futurismo e a constante luta político-social das ruas de Nova Iorque – e do mundo.

Se tudo parte do R&B, ou da sua estrutura mais reconhecível, é imensamente injusto entendê-la somente desse prisma. Um dos motivos que a torna tão fascinante é precisamente esse desprendimento ao terreno comum; dedilha e contagia alguma da electrónica mais desviante, sentindo a energia latente do jazz ou da soul como faísca primal. É uma experiência refrescante e recompensadora, recordando, desde logo, que o vanguardismo não só se faz de complexidade conceptual ou visões herméticas. Erykha Badu e Sun Ra, mão em mão, com keiyaA no epicentro deste encontro imaginário.

São raras as oportunidades para testemunhar este capítulo contemporâneo da R&B ao vivo e mais ainda deste lado do Atlântico. No passado a ZDB acolheu, e em boa hora, artistas como DAWN, Kelela ou THEESatisfaction, em apresentações marcantes. Abre-se assim espaço para acrescentar mais uma importante visita, daquelas em que sentimos que poderá ser agora ou nunca. Imperdível. NA

Demae

Face importante na música londrina no último par de anos, algures entre a nu jazz local e a neo soul atmosférica, Demae simplesmente reina. Life Works Out…Usually materializou, da melhor maneira possível, as imagens e as palavras que há muito fermentavam em si e ofereceu, em 2020, um poderoso antídoto à hiper-velocidade e inconstância dos tempos. Disco honesto e superlativo, mergulha num leve surrealismo oceânico para emergir na realidade urbana, entretanto já de cabelo molhado.

Bubblerap: Volume 1, editado há escassos meses, volta a marcar a diferença entre os seus pares. Um cadáver esquisito de demos, versões ou ideias difusas, ou dito de outra forma, mais um notável gesto de talento e bom gosto. Por vezes, descobertas grandes acontecem – e esta é uma delas. NA

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