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Música
Concertos

Lula Pena e João Simões ⟡ Pedro Sousa

Qua30.09.2021:00
Teatro São Luiz ⟡ Sala Luis Miguel Cintra

Conheça as regras de acesso do público ao Teatro São Luiz.

Lula Pena e João Simões

Senhora de uma presença e música tão intangíveis quanto telúricas, Lula Pena tem trabalhado com a calma dos abençoados e a paciência dos dias uma obra única, em contracorrente com qualquer noção de carreirismo. Ao ritmo de uma canção por ano, Pena tem levantado uma aura muito sua, reflexo de uma música que convoca o fado, a bossanova ou o tango mas transcende cartografias e tropes de género, para suster essas referências numa dimensão pan-global, onde uma guitarra e aquela voz assombrosa são meios para a crença e a revelação. Tendo-se estreado com o já mítico ‘Phados’ em 1998, reapareceu após resguardo solitário em 2010 com o deslumbrante ‘Troubadour’ e novamente em 2017 com ‘Archivo Pittoresco’ com edição da muito respeitável e sempre atenta Crammed Discs. Tudo a seu tempo, sempre.

Num encontro algo inusitado, Lula Pena abarca o seu centro gravitacional à obra de João Simões – e vice-versa. Artista nascido em Luanda e já com largo trajecto por entre a instalação ou o vídeo e cujo trabalho tem sido amplamente discutido e elogiado por inúmeras publicações e críticos. Tendo já exposto em inúmeros espaços de respeito, foi também professor convidado e conferencista em diversas escolas conceituadas, deste e do outro lado do Atlântico. Figura muito própria, de matéria idiossincrática. Requisito para um tag team que nos deixa particularmente expectantes por todas as suas possibilidades. BS

Colaboração Lula Pena e João Simões Voz e guitarra Lula Pena

Pedro Sousa

Saxofonista de rodagem imparável e energia vital para diversas movimentações nesta e noutras cidades, reconhece-se a Pedro Sousa uma capacidade tão rara quanto natural de habitar e confundir diversas esferas musicais, que na passagem pelo jazz em várias formas, pela electrónica mais arisca, pelo rock enviesado e improvisações sem nome nem lugar nunca perde o acervo e cunho pessoal dos mais honestos e inconformados. Da parceria de longa data com Gabriel Ferrandini – em duo, Volúpias, Casa Futuro ou formações mais ou menos perenes – a EITR, colaborações pontuais com bandas como Black Bombaim ao mais recente conluio com Simão Simões. E por aí, para trás e para diante numa rede expansiva que tem sublimado uma linguagem tão continuamente nova quanto singular. Ofício abençoado.

Campo aberto particularmente bravio para essa exploração contínua e confiança acrescida tem sido o seu trabalho a solo. Exílio que tem vindo a lume em aparições pontuais, esculpido com um sentido visão que acarta com processamento electrónico e amplificação sem entrar em maneirismos de escola electro-acústica, rendição ao loop ou acumulação sonora preguiçosa. Sopro, técnica e lirismo sempre actuantes, seja no fraseado poético, num uso cuidado de extended techniques ou na respiração circular, electrificados com uma medida e um fim, que fazem dessa sua música algo que não é definitivamente jazz, nem propriamente drone nem improvisação freeform mas respira o essencial de todas elas. Para o São Luiz, traz também a palco um projector de 16mm modificado de modo a ser amplificado e controlado em tempo real. Com todo o cabimento. BS

Saxofone tenor, pedais, amplificadores, manipulação de projector de 16mm Pedro Sousa

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