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Música
Concertos

Maria Reis ⟡ Alexandre Estrela, Gabriel Ferrandini e Pedro Tavares “Ruin Marble”

Sex03.07.2021:00
Fundação Calouste Gulbenkian ⟡ Anfiteatro ao Ar Livre

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Maria Reis

Voz essencial no bonito mosaico de canções que se tem vindo a compor por cá ao longo dos últimos anos, Maria Reis deu no ano passado um passo seguro e importantíssimo nessa mesma afirmação com a edição do seu primeiro álbum a solo — Chove Na Sala, Água Nos Olhos — após anos de militância ao lado da sua irmã Júlia com as Pega Monstro e umas primeiras canções onde se ia descolando das inclinações mais rock destas para um território onde a pop serve para curar maleitas e abençoar vivências.

Disco imaculado em sete canções que cravam memórias, assentes num lirismo tão real quanto alusivo, entregue a melodias que perduram entre a doçura e uma certa amargura que torna tudo mais tangível e vivido, Chove Na Sala, Água Nos Olhos é tão firmado na sua própria independência quanto comunal no chamamento. Apresenta-se aqui a solo e acompanhada por um trio de cordas, numa prova de que o real valor destas canções está apenas nelas mesmas. BS

voz, guitarra eléctrica e campaniça Maria Reis contrabaixo António Quintino Joana Correia violoncelo Catarina Marques viola Sara Graça cenografia

"Ruin Marble" ⟡ Alexandre Estrela, Gabriel Ferrandini e Pedro Tavares

Apresentação desta peça animada pelo baterista Gabriel Ferrandini, pelo prodígio da electrónica Pedro Tavares e pelo artista plástico Alexandre Estrela. Sobre ‘Ruin Marble’, este último escreve que se trata da “animação de uma paisagem numa lâmina de “pedra paesina” inscrita pelo fluxo líquido dos sais minerais, óxidos de ferro e magnésio. O som liberta desta pedra placas tectónicas expandindo e contraindo as camadas geológicas do tempo retido na pedra”. A pedra é a paisagem de fundo, cenário para a emanação de ondas sonoras cuja fiscalidade nos catapulta para um tempo primordial onde a ruína antecede o homem.

Três figuras com vivências e trajectos distintos, unidas sobre este signo, carregando consigo a sua carga técnica e maior ou menor historial. Ferrandini já com um currículo invejável, a tocar larga e abertamente com nomes vindos das mais diversas esferas – do jazz, primordialmente, mas também da improvisação livre, de formas mais líquidas de rock ou da electrónica – a chegar continuamente a um lugar muito seu, que em breve se materializa no seu primeiro álbum a solo. Disco que conta com a preciosa contribuição de Pedro Tavares, nome bem jovem e já seguro no meio bem saudável em que estamos no que diz respeito à electrónica produzida neste canto, quer a solo como funcionário, quer nos Império Pacífico. E por fim Alexandre Estrela que traz consigo toda uma experiência na abordagem da imagem enquanto matéria ressonante em trabalhos tão celebrados quanto idiossincráticos, que o tornaram num artista singular. BS

concepção visual Alexandre Estrela programação e interactividade Borja Caro concepção sonora, bateria amplificada Gabriel Ferrandini electrónica Pedro Tavares

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