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Moor Mother ⟡ Menino da Mãe

Dom17.11.1919:00
Galeria Zé dos Bois

Moor Mother

Portadora de um honesto e urgente entendimento de ativismo artístico, Camae Ayewa parece não deixar escapar cada dia, cada hora, cada minuto. A sua criação é continua, vasta e prima por uma diversidade ímpar nos tempos que correm. A solo ou acompanhada por outros músicos, de caneta ou de microfone, em cima ou fora de palco, ela tem vindo a germinar vários focos criativos – e segue numa busca incessante por mais. Se Fetish Bones colocou Moor Mother num patamar de respeito e interesse generalizado, então o novo disco Analog Fluids Of Black Holes só vem a elevar a matéria, como um universo em constante expansão. É claramente um álbum maior em 2019, espelhando, de modo brilhante, o seu tempo, numa batalha sónica que se processa dentro e fora dele.

Enquanto proposta, traz brutalidade nas palavras e profunda beleza na orquestração de um caos consciente de cada acto, cada ideia, cada faísca. Soará por vezes como uma febre tropical em redor de memória de dor e liberdade da diáspora africana, e por outras como uma instalação punk visionária. Moor Mother tem aqui um dos seus melhores trabalhos até à data, combinando a natureza vulcânica do free jazz, a carga aérea do industrial e a sabedoria de rua do hip hop. Apresenta-se como obra profética que nos cai em cima dos ombros enquanto vemos o mundo lentamente a arder. Ou, se preferirmos, é um retrato do burnout da sociedade de consumo e sobre-informação em que vivemos. É certo que já lemos, escutámos ou imaginámos estas e outras imagens antes, mas Analog Fluids Of Black Holes consegue levar-nos até elas como uma espécie de portal. Com a participação de convidados como Saul Williams ou o rapper Reef the Lost Cauze, e a produção a cargo de King Britt, Justin Broadrick ou Giant Swan, este quarto capítulo na cruzada de Moor Mother é um autêntico colosso com aura de requiem.

Voltaremos a vê-la na ZDB, como se fosse pela primeira vez. A cada apresentação há novas dimensões e esta visita é mais um pedaço importante do que de mais essencial está a acontecer na música- pequenas grandes revoluções. NA

Menino da Mãe

Personagem de uma bizarra Lisboa em flor. O que materializa com a sua música é um snapshot amargo da cidade, ganho a pulso e alimentado por uma sede do infinito. Vê-lo sozinho num palco, é testemunhar um crescendo de presença, igualmente pujante e encantadora. Além disso, a sua escrita é um declarado acto de isolamento final; o mesmo que António Variações tão bem explorou e os saudosos Aquaparque souberam trabalhar por dois maravilhosos discos. Menino da Mãe reúne estórias, tripanços e revelações que afinal pertencem um pouco a todos nós. NA

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