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Odete ⟡ “Water Bender” release party

— c/ Odete (live), BLEID (live), DRVGジラ, Stasya, Alada & special guests

Sex27.03.2022:00
Galeria Zé dos Bois

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Vital. Só assim se poderá encarar a produção que Odete tem vindo a desenvolver nos últimos tempos. Da perspectiva artística, (re)cria um universo profundamente íntimo, sem espaço e tempo associados, embora solidamente audaz e desafiante. Mas esta linguagem que vem de dentro, com erupção e poesia, traz também uma visão social — e política, chamemos assim, sem medos — de uma certa urgência. Sabemos que a produção musical como activismo é hoje uma via tão eficaz quanto necessária. Tal facto ganha maior relevo em alguém que tem vindo a contribuir para toda uma comunidade LGBT local em plena efervescência criativa. Tudo isto sem enveredar no modo panfletário, mas sim por meio de uma honestidade brutal e encantadora.

O EP Matrafona, de 2018, abriu portas a uma fonte inesgotável de sons, imagens e outras coisas dificilmente explicadas e pertencentes ao mundo do belo, do abstracto e do onírico. Trouxe um léxico de ritmos e melodias que desde logo fugiam ao aborrecimento da previsibilidade ou ao conforto do lugar comum; com Amarração, editado o ano seguinte pela sempre atenta Rotten/Fresh, a magia adensou-se. A ressaca da IDM acotovelou-se à composição de cariz semi-clássico, unindo elos entre uma samplagem sem receios nem pressupostos. Radical como convém, espiritual como de certa forma de apresenta e, acima de tudo, pulsante. Criando pontos de fuga a um objecto já de si alienígena, escutar os nove temas de Amarração é uma experiência não menos que sensorial. Há elementos como vozes e found sounds que surgem e que se evaporam assim como detalhes que se transformam em realidades multi-dimensionais. A sensação de descoberta é constante — e com ela, uma inevitável sensação de liberdade. Parece haver sempre mais. Quanto à mensagem desta obra, essa é positiva e pujante, apesar de uma luta intrínseca que acaba por catapultar tamanha oferenda.

Já este ano, Water Bender é o novo capítulo de Odete enquanto nome maior. Dá novos passos em latitudes distintas, abrilhanta na perfeição o que até aqui tem laborado e termina por (uma vez mais) entregar-nos um desejado escape ao mundano e ao tédio. Voltamos então à questão inicial: que poderá haver de mais vital do que isto?

Nesta noite suprema de apresentação exclusiva de Water Bender, Odete convida um conjunto de gente ilustre para a celebração. Subirão ao palco nomes como BLEID, que por esta altura já deverá dispensar qualquer tipo de apresentações, ao lado de DRVGジラ (escutem o magnífico Chains, merece imenso), Stasya e ainda Alada, convidada brasileira a residir em Berlim — e agora em estreia por Lisboa. NA

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