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Artes Visuais
Exposições

Um Mês Acordado – Exposição de Alexandre Estrela

21.01 — 21.02.22
Galeria Zé dos Bois

De segunda a sábado
Das 18h às 22h

Visitas por marcação 24/24 horas para grupos de 5 ou mais pessoas tlm. 966 237 200

Um elemento comum no registo expositivo de Alexandre Estrela, é que os títulos não são o que parecem. “Acordado”, uma das palavras no título, tem um duplo significado. Significa estar acordado, mas também algo que foi acordado, assim, o título pode ser entendido como Um Mês Desperto ou Um Mês de Acordo. Mas porque é que estas duas ideias estão ligadas em português? Será o despertar em si um acordo com a realidade? O sono uma quebra de contrato com o real?

Um Mês Acordado revela as capacidades cognitivas do espectador sem dormir, questiona a perceção da realidade e, de certa forma, espelha o olhar de alguém permanentemente preso num estado desperto. A exposição conta os relatos de um insone, através de simples técnicas experimentais de realização de filmes, que montam “armadilhas perceptivas”, desencadeando luzes entópticas e zumbidos indesejáveis, uma alucinante experiência extracorporal próxima do chamado cinema do prisioneiro.

A exposição está ancorada em duas ideias fundamentais: que noites de insónias crónicas podem trazer clarividência e que existe uma partitura universal embutida na maior parte da música contemporânea. Para esta experiência comportamental foi acordado que a Galeria Zé dos Bois permanecerá aberta durante 24 horas por dia, 7 dias por semana durante o período de um mês, apresentado obras de arte insones a um público inquieto. Imagens e sons que irão assombrar o observador a um ponto em que as ilusões se tornam concretas.

Obras expostas:

Um Mês Acordado, 2018
Projecção de vídeo sobre tela de alumínio preparada
Video: 4:3 HD MOV (PAL), cor, um mês, som estéreo
Tela: tela/escultura de alumínio fundido de 37.5 × 48.5 x 4 cm

Já não dormia, passava 24 horas acordado e estava assim, tipo há um mês, que não dormia. [I didn’t sleep anymore, I was 24 hours awake, for… like a month, that I didn’t sleep]

Um Mês Acordado é uma video instalação concebida enquanto relato prático de como fazer um filme experimental: projectando e gravando simultaneamente uma imagem estática através de um acrílico giratório. Durante o evento, um insone crónico, fez algumas observações sobre as semelhanças entre as imagens criadas e as alucinações que havia experienciado quando ficou um mês sem dormir. Posteriormente, uma tela de alumínio foi moldada e fundida, modelada a partir do vídeo. Em suma, a instalação simula o que pode ter sido uma experiência entóptica com os fosfenos: luzes vívidas internas que ocorrem no córtex do olho quando não há estímulos externos por um longo período de tempo.

Universal Score, 2019
Projecção de vídeo sobre tela preparada
Vídeo: 4:3 HD MOV (PAL), cor, duração indefinida, som estéreo
Tela: gesso, madeira 30 x 40 cm
Som: programação de Borja Caro Montes

A peça Universal Score teve origem na teoria de que pode existir uma estrutura fundamental por detrás da música contemporânea feita nos anos sessenta e setenta. Este padrão foi explorado através do desenho de linhas que podem ser lidas como uma partitura universal. A imagem de um desenho colado em cima de uma ilustração de uma chapa de xilogravura encontrada num livro antigo, é a unidade de um vídeo oscilante que é projectado sobre uma tela com a forma da própria chapa de impressão. A banda sonora é composta por uma seleção de temas de músicos contemporâneos consagrados, forçados a passar por um efeito de vibrato. O ritmo do vibrato e a oscilação da imagem são diferentes, no entanto, a necessidade de sincronização do cérebro leva-nos a pensar que ambos estão em uníssono.

Van Allen Belt, 2019
Projecção de vídeo sobre tela de metal preparada
Vídeo: 4:3 HD MOV (PAL), cor, duração indefinida, silêncio
Tela: alumínio, 30 x 40 x 1 cm

O Cinturão de Radiação de Van Allen, é uma barreira com um nível letal de radiação, que impede qualquer criatura viva de sair da atmosfera terrestre. Nesta vídeo instalação, duas imagens de um sol nascente, oscilam em cantos opostos de uma tela de metal. A luz do feixe de projeção atravessa a barreira de metal através de perfurações aleatórias.

Alexandre Estrela

Alexandre Estrela (Lisboa, 1971)

O trabalho de Alexandre Estrela é uma investigação sobre a essência das imagens que se expande no espaço e no tempo através de diferentes suportes. Nos seus vídeos e instalações, Estrela examina as reações psicológicas do sujeito às imagens nas suas interações com a matéria. Cada peça convoca experiências sinestésicas, ilusões visuais auditivas, sensações aurais e cromáticas que funcionam como armadilhas perceptivas, que conduzem o sujeito a níveis conceptuais. Com esta estratégia, Estrela está constantemente a fragmentar a visão em dimensões sensíveis em direcção ao invisível e inaudível.

Algumas das suas exposições individuais mais recentes incluem: A Third Reason, Rialto6, Lisboa (2021-2); Día Eléctrico’ (with João Maria Gusmão), Galería Travesía Cuatro CDMX, Cidade do México (2021-2); All and Everything, Museo Rufino Tamayo, Cidade do México (2020); Lixo de Pinho, curadoria de Óscar Faria, Sismógrafo, Porto, Portugal (2019); Um Mês Acordado, curadoria de Gerard Faggionato, Indipendenza, Roma (2019); Volta Grande, curadoria de Luíza Teixeira de Freitas, Pivô, São Paulo, Brazil (2019); Métal Hurlant, curadoria de Sérgio Mah, Fondation Gulbenkian, Paris (2019); Lua Cão (with João Maria Gusmão + Pedro Paiva), um projeto com a curadoria de Natxo Checa, La Casa Encendida, Madrid (2018), Kunstverein, Munique (2018), Galeria Zé Dos Bois, Lisboa (2017); Baklite, curadoria de Sérgio Mah, CAV Centro de Artes Visuais, Coimbra, Portugal (2017); Pockets of Silence, Programa Fisuras, curadoria de João Fernandes, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid, (2016); Roda Lume, curadoria de Nav Haq, M HKA Museum of Contemporary Art Antwerp, Belgica (2016); Meio Concreto, curadoria de João Fernandes, Museu de Serralves, Porto, Portugal (2013); Stargate, curadoria de Pedro Lapa, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa (2006), entre outras.

Estrela participou também em diversas exposições colectivas, entre as quais: Matéria Luminal curadoria de Sérgio Mah, Museu Colecção Berardo, Lisboa (2021-2); Points de Rencontres, curadoria de Frédéric Paul, Centre Pompidou, Paris (2019); Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, Portugal, curadoria de Luíza Teixeira de Freitas (2017); L’exposition d’un Rêve, curadoria de Mathieu Copeland, Fondation Gulbenkian, Paris; ACMI, Melbourne, Austrália; TATE Modern, Londres (2017);

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