ZDB

Artes Visuais
Exposições

VERBIVOCOVISUAL

— Poesia concreta e experimental portuguesa de 1960 a 1975

12.02 — 15.04.17
Galeria Zé dos Bois
© Laís Pereira
© Laís Pereira
© Laís Pereira
© Laís Pereira
© Laís Pereira
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© Laís Pereira
© Laís Pereira
© Laís Pereira
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Não andaremos longe da verdade se afirmarmos que a Poesia Experimental foi o único momento do século XX em que se conseguiu inverter o crónico epigonismo português face às práticas artísticas internacionais. Este facto era da maior relevância cultural para o nosso país e fizemo-lo saber de forma contundente: em carta de 1962 ao suplemento literário do jornal Times, E. M. de Melo e Castro anunciava aos leitores que, ao contrário do que aquele jornal havia sugerido, as experiências ligadas à poesia visual não eram invenção anglo-saxónica — havia em Portugal e no Brasil quem se dedicasse à exploração da página como campo performativo e do signo como agente primeiro dessa performatividade, pelo menos desde meados dos anos 1950. A importância que a posição portuguesa granjeou no contexto da poesia visual ultrapassa o seu significado nas áreas estritas das artes visuais e da poesia. Ela sublinha a absoluta sintonia de um conjunto de autores nacionais com a abrangente revolução cultural que instalou a semiótica e o estruturalismo no centro dos debates culturais em ambas os lados do Atlântico. Contemporânea (e, por vezes mesma, precursora) das artes pop e conceptual, da performance e do happening, da interdisciplinaridade, do impulso no sentido da desmaterialização do objecto artístico e da generalizada contestação face à crescente mercantilização da obra de arte, a Poesia Experimental foi parte activa da efervescência intelectual saída dos escombros da Segunda Guerra Mundial.

A exposição que a ZDB agora apresenta permite acompanhar alguns dos momentos-chave deste particular fenómeno. Centrado na produção nacional, mas fazendo relevantes incursões a autores de outras geografias, a exposição desenha um retrato cronológico da Poesia Experimental. Das primeiras e inovadoras experiências de José-Alberto Marques, Ana Hatherly ou Melo e Castro no final dos anos 1950, passando pelos anos da afirmação crítica e cultural de toda a década seguinte, e chegando ao reconhecimento verificado nos anos de 1970, esta exposição reúne cerca de centena e meia de peças – entre obras, documentos, filmes e publicações – cuja reunião constitui uma oportunidade rara de mergulhar num dos mais significativos fenómenos artísticos portugueses das últimas décadas.

Artistas e autores representados na exposição

M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, António Aragão, Salette Tavares, José-Alberto Marques, Liberto Cruz (Álvaro Neto), Abílio-José Santos, Herberto Hélder, António Barahona da Fonseca, Alberto Pimenta, Fernando Aguiar e Silvestre Pestana.

Estão representados também alguns artistas internacionais com quem este grupo partilhou exposições e publicações como Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Pierre Garnier, Henri Chopin, Ian Hamilton Finlay, John Furnival, Ken Cox, Bob Cobing, Pedro Xisto, Mei Leandro de Castro.

Fora da exposição, numa sala contígua, um conjunto de obras recentes homenageiam a PO-EX:  Alexandre Estrela, António Poppe, Calhau!, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, João Simões, Manuela Pacheco, Pato Bravo, Sei Miguel e Tomás Cunha Ferreira.

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