Matéria de sonhos. A primeira coisa que vem à cabeça quando se ouve Horse Jumper Of Love pela primeira vez passa por aí. Foi assim com a estreia, álbum homónimo que este ano celebrou dez anos. As canções transportavam o onírico e ponderavam o shoegaze por caminhos incomuns, lembrando John Maus ou Joy Division aqui e ali, com gestos surpreendentes. O trio de Boston não parou desde então. Formação clássica, guitarra, baixo, bateria, nas mãos de Dimitri Giannopoulos, John Margaris e Jamie Vadala-Doran. O último álbum, de 2024, Disaster Trick aperfeiçoa a receita. De forma algo inesperada, mais discreto, slowcore.
Os Horse Jumper Of Love vivem na pele esta espécie de renovação do indie dos 1990s que acontece há cerca de uma década, sem que se tenha confirmado na totalidade. Não é uma replicação, ou homenagem, e, sim, reconhecer que aquele som servia um estado. A procura de um som, enquanto ideia, permitia diversos caminhos para quem queria pegar só numa guitarra, baixo e bateria. Pode-se confiar nisto pelo caminho da renovação como tradição, seguir as pistas da música tradicional. Talvez até seja uma forma da música pop/rock se querer assumir como tradicional. Esta procura tem levado a canções que se ouvem com o pensamento actual. Dimitri Giannopoulos, o vocalista da banda, explora estes pontos nas suas letras, juntando uma presença Low/Red House Painters com a urgência que o tempo exige, porque é um de maior insatisfação. E é por aí que se pensa em John Maus e Joy Division: um caminho viável, justificável e que lhes serve muito bem.
Nos sonhos dos Horse Jumper Of Love olha-se para o céu. Olha-se para o céu querendo que por lá exista uma ideia de não limite, fornecendo a única resposta satisfatória para o hoje. Dimitri deixa ideias em suspenso, tanto na escrita, como na forma como conduz a voz, libertando-a, por vezes, no ar, como se aquela ideia não tivesse fim, aquele sonho não pudesse acabar ou que o fim não tem de ser determinado pela ideia de fim. Uma ideia algo romântica, até trágica, de um músico que parece não querer olhar para o que o espera. É fascinante ainda haver coragem para isso.
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