ZDB

Música
Concertos

CAVEIRA

Sex03.12.2122:00
Galeria Zé dos Bois


© Ana Tang

De acordo com as medidas previstas pela DGS informamos que para assistir ao concerto, para além do certificado de vacinação, será necessária a apresentação de comprovativo de teste negativo, realizado em farmácia nas últimas 48h, ou PCR nas últimas 72h.

Entidade mítica no que de mais essencial se faz por cá, a urgência da sua música tem sido uma constante ao longo de mais de uma década. Com uma formação variável, mas sempre com a direcção de Pedro Gomes, a qualidade e pertinência dos integrantes tem mantido a curiosidade e a chama acesa. Os concertos são sinónimo de experiência; experiência que acontece em palco e salta dele, exorcizando o espectro do rock em algo visceral, belo e transcendente. Numa época rastejante de sombra e incerteza, em sinuoso delírio pós-pandémico, poucas seriam as formas imaginárias de terapia ideal. Um reencontro há muito desejado – e agora tornado realidade.

Foram necessários cerca de quatro anos de laboro, maturação e alinhamento de vias para que um álbum se tornasse possível. Não por opção, mas por princípio. No fundo, a tradução física, e o mais fiel possível, de uma noção sonora que há muito pairava no imaginário de Gomes. Em modo contra-corrente de um presente repleto de velocidade e excesso de informação, esta lógica não só é rara como se anuncia vital para saltos maiores. Entre estórias do quotidiano, encontros e desencontros, o estúdio Namouche tornou-se o espaço natural para esse processo. Não apenas pelas possibilidades técnicas que um workspace tão nobre possibilita, mas também pelo envolvimento de pessoas que se cruzaram no caminho. Uma depuração sónica que se sente como única.

Em 2021 o som de Caveira é necessariamente diferente do que era no passado. Para além do acima descrito, o presente – e o seu futuro – é uma passagem de eterna descoberta e fascínio. A ressonância da guitarra continua a ser elemento basilar onde tudo parece gravitar. O magnetismo é real e oferece uma expressão musical desesperadamente vulcânica e profundamente delicada. Muito além das fronteiras do noise, do jazz ou dos moldes da improvisação livre, existe aqui uma genuína noção de onde chegar – e como fazer desse percurso uma metáfora de vida. O corpo sonoro de CAVEIRA é um portento de coisas inefáveis, ou se preferirem, uma elevação guiada pelo volume, electricidade e coração no sítio certo.

Nesta esperada apresentação na ZDB, Gabriel Ferrandini, Pedro Sousa e Miguel Abras juntam-se a Pedro Gomes para nos colocarem à beira de um fabuloso abismo; sem medos e com direito a elevação beatífica. Daquelas que damos por nós a recordar um dia mais tarde. NA

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