O título da mostra aqui reunida: ESCOLA DE GRONINGEN, sub-repticiamente surripiado de uma das obras em exibição, refere-se ao Departamento de Matemáticas da Universidade da cidade de Groningen particularmente relevante nos pós-guerras, no estudo de geometria clássica, cinemática e matemática aplicada.
Contrariando a tendência analítica de abstração que comandava então a matemática mais avançada, o geómetra Oene Bottema (1901-1992), destacada sumidade dessa instituição do saber, almejou a aplicação da ciência dos números ao mundo real.
Recuperando a geometria Euclidiana desenvolvida até ao final do XIX, Bottema teve a visão de a modernizar aos padrões de rigor do século XX, contribuindo para desvelar pela ciência exacta, espaços e movimentos complexos; – em particular a inversão de círculos, as transformações de Moebius, e configurações geométricas no contexto das invariantes e sistemas cinemáticos.
A superfície curva da batata frita, a chip “pála-pála”, pôde, à luz destas contribuições, ser descrita nas três coordenadas cartesianas pela simples equação z = y2 – x2, assim como a parábola, definida por uma equação de 2º grau, descrever a cablagem da ponte 25 de Abril, uma antena de recepção via satélite e os faróis de um automóvel.
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Interessam-nos as derivações intuídas destas equações matemáticas, oriundas de um mundo especulativo mais do que as meras fórmulas que as descrevem no papel. Interessam-nos as suas consequências na produção material ao largo, na forma como o poder conceptual pode gerar processos artísticos tão distintos e autênticos, como as arborescências ou o marisco galego. Interessa-nos uma produção artística que consiga modelar o especulativo em formas compreensíveis e cinéticas; uma força motriz vocacionada para a descoberta; uma demiurgia superior à lógica que dê lugar a novas ideias e novas expressões do intelecto.
“Good Thoughts, Good Words, Good Deeds.”
– Zoroastro Bêbado



