ZDB

Música
Concertos

keiyaA apresenta ‘hooke’s law’

ter10.11.2621:00
Galeria Zé dos Bois


keiyaA © Jessica Foley

keiyaA

Quando o sucesso finalmente chega e aumenta o número de possibilidades, quantos aguentam a pressão desse esticão? hooke’s law, o segundo álbum de keiyaA, é um conjunto de respostas e reflexões sobre essa questão, pensando de que formas a vida se altera e mantém a mesma quando se conquista a crítica, os seus pares e o mundo. Na sua estreia pela XL Recordings após ganhar balanço com milk thot, a cantora, produtora e multi-instrumentista de Chicago aplica as suas bases jazzísticas via educação paralela enquanto parte da geração hip-hop para dilatar as valências do r&b e soul que cria, adicionando auto-tune ou breaks de jungle à complexa e ambiciosa equação.

Antes, a vontade autoral levou-a do centro-oeste americano até à costa este: depois de ser a saxofonista em sessões com artistas emergentes nessa época como Mick Jenkins, Chance The Rapper, Noname ou Vic Mensa, Nova Iorque e a sua efervescente cena musical (mais concretamente nas intersecções entre o jazz, o rap e o experimental) capacitaram-na para finalmente se emancipar em 2020. Em Forever, Ya Girl foi à procura do respeito de produtores como Madlib ao mesmo tempo que lutava contra a possibilidade de ser despejada; com uma SP-404 e um microKORG no seu arsenal, o som transformou-se numa visão concreta de resquícios que o Loop Digga, Erykah Badu ou Solange deixaram na atmosfera.

Se nos seus discos se rodeia sobretudo de si mesma (a excepção é a rapper RahRah Gabor em “this time”), o espírito comunitário revela-se de outras maneiras fora disso: produziu três temas de weight of the world, álbum de MIKE, remisturou faixas de Nubya Garcia, Nilüfer Yanya, Bartees Strange ou Kokoroko e adicionou alma em canções de Armand Hammer, Maxo, Loraine James, E L U C I D ou Mount Kimbie. São escavações interiores e exteriores em aventuras vanguardistas na companhia de alguns protagonistas da música electrónica e do rap menos convencional de diferentes continentes.

O desconcertado intencional do álbum de estreia deu lugar a alguma rigidez (também ela com propósito) no segundo longa-duração: o setup (seja de maquinaria – Octatrack, sintetizadores modulares e Ableton – ou de estilo de vida) faz a música e é isso que escutamos no conjunto de 19 faixas, recordando-nos de que é uma contemporânea de Kelela, Yaya Bey e Erika de Casier sem que nos esqueçamos quem comunica connosco. Alguém que odeia senhorios (“i h8 u”) ou alguém que se quer divertir em boa companhia (“k.i.s.s”), por exemplo. Mas também alguém que estudou e mergulhou em partes das discografias de Kanye West (de 808s & Heartbreak), Nine Inch Nails, Aaliyah, Brandy, Air, Michael Jackson ou a brasileira Fernanda Dias.
AR

Próximos Eventos

aceito
Ao utilizar este website está a concordar com a utilização de cookies de acordo com o nossa política de privacidade.