Em aparição na ZDB após uma produtiva sessão de estúdio cujo resultado se irá materializar em disco, este quarteto de “velhos conhecidos” traz a palco uma música dedicada aos espíritos de Robert Wyatt e Abdullah Ibrahim. Figuras imponentes cuja vida e obra ilumina, de uma forma não tão óbvia mas sentida, as múltiplas direcções tomadas por esta banda de músicos bem traquejados e percurso igualmente valoroso e distintos nos terrenos do jazz e da improvisação. Luís Vicente é uma presença assídua nesta casa; manifestação de um trabalho contínuo deste trompetista cujo reconhecimento crescente o tem levado a calcorrear palco um pouco por todo o lado quer como líder quer em conluio com músicos como William Parker, Hamid Drake ou Vasco Trilla. O norte-americano Michael Formanek amealha já quatro décadas de ofício ao contrabaixo, numa trajectória que o levou a tocar com gente como Mary Halvorson ou Tim Berne e em toda uma série de formações, onde se incluem estes mesmos músicos. Jeff Williams, infelizmente, não poderá estar presente nesta noite, actuando no seu lugar o baterista e improvisador João Pereira. Elo de ligação, Ziv Taubenfeld, entretanto residente em Lisboa após uma longa temporada de actividade na fértil cena dos Países Baixos, traça no seu clarinete baixo linhas melódicas que vão da contemplação ao desconhecido, como que a evocar o lirismo de Wyatt e Ibrahim para o transmutar numa música tão narrativa quanto aberta, entre a serenidade poética da música de câmara e momentos de desvario harmónico eixado que não completamente alheado dos momentos mais curtidos de Soft Machine ou do optimismo radiante de ‘Banaya’. Nem que por mera sugestão.
BS



