É mais um astro ascendente na já sólida constelação dinamarquesa que nos últimos anos tem feito brilhar o panorama contemporâneo. Caminhos pouco convencionais da pop e afins, descortinados pelo trabalho exemplar de nomes como ML Buch, Astrid Sonne ou Elias Rønnenfelt. Mas ao falar de Aria Leth Schütze, há que falar do encontro de naturezas, aparentemente, opostas. As faíscas da eletricidade em suave convulsão com a voz e elementos acústicos que obedecem a uma noção de composição aberta, em constante revelação. A geografia imaterial que percorre, por tantas paisagens, sem nunca se confinar em porto seguro.
Tudo parecer partir de uma indagação essencialmente confessional. O atrito resultante desse confronto “de dentro para fora”, é assim o ponto de partida para canções complexas nas sensações e imagens, mas imediatas no seu efeito de encontro com extrafísico. No mais recente Ephemeral, trouxe a si contribuições de Space Afrika ou Croatian Amor – e atirou-se ainda a uma interpretação absolutamente inesperada do clássico 90s “You’re Not Alone” de Olive. Um elo simplesmente perfeito, se pensarmos também na importância da memória transformativa no trabalho de Aria.
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