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Artes Visuais
Exposições

Memória Fantasma

— exposição de Yonamine

18.10 — 14.02.26
Galeria Zé dos Bois

Inauguração: 18 de Outubro 2025

Horário:
Segunda a Sábado
18h - 22h

Memória Fantasma - Yonamine © Vasco Vilhena
Memória Fantasma © Vasco Vilhena
Memória Fantasma © Vasco Vilhena
Memória Fantasma © Vasco Vilhena
Visita Guiada 'Memória Fantasma' © Beatriz Pequeno
Visita guiada 'Memória Fantasma' © Beatriz Pequeno

Entre o lixo e o arquivo, os jornais são perfeitos para deixar as janelas de vidro brilhantes, sem deixar resíduos. O jornal não deixa fiapos. Ainda assim, deixa um rasto — ficamos com os dedos escuros e secos devido à tinta.

Memória Fantasma mostra Yonamine a mexer mais uma vez na memória angolana e nas páginas do Jornal de Angola, retomando o trabalho que começou em 2013. Tinta preta sobre papel cinzento, corpos negros em primeiro plano, com o capitalismo colonial branco ainda detrás, castanho por baixo de ambos.

Trabalhando com cartão, Yonamine recupera o papel e o passado, trazendo-os de volta e dando-lhes um novo brilho. Memória Fantasma, tal como o jornal da parede tão comum em 1975 e 1976 na Angola recém-independente, reforça o papel, torna-o vertical, dá-lhe uma espinha dorsal. Aplicando pressão, cortando a superfície, Yonamine transforma os media num meio – o meio da sua arte, o meio que canaliza os espíritos. Não varras à noite, para não chamar os kalundus, dizem em Luanda.

Em todo o mundo, temos varrido à noite. Espíritos inquietos possuem-nos. A ligação entre fascismo e colonialismo que Aimé Césaire discerniu é o pão nosso de cada dia neste início do século XXI. De plataforma em plataforma, consumimos as imagens, inflamamo-nos de raiva, eriçamo-nos de medo, temos os nossos corações partidos, ficamos sem dormir de tristeza. E não é apenas fora de nós, não é só algo que vem de fora para dentro – líderes corruptos, condições económicas injustas, desastre ecológico. Nós participamos. «Aceitamos os termos e condições» com um clique, várias vezes ao dia.

Marissa J. Moorman

Yonamine

O imaginário criado por Yonamine (Luanda, 1975) é permeado pelas influências culturais dos países onde viveu. A sua infância passada em vários países, desde a República Democrática do Congo, ao Brasil e Portugal, e o regresso a Angola, em 1994, durante a guerra civil, ressurgem no seu trabalho através dos seus diários pessoais. Autodidata, foi na convivência com o meio teatral e com as artes gráficas do seu país natal, durante a adolescência, que Yonamine iniciou o seu trabalho — aproximando-se, mais tarde, da geração de artistas que fundaram a Trienal de Luanda.

Na produção de um vocabulário próprio, o artista relaciona heranças da sua rica autobiografia, um pensamento crítico sobre os processos políticos e históricos que construíram a contemporaneidade, com imagens da cultura popular. Associando uma miríade de objetos encontrados nas suas derivas a pinturas, desenhos, grafitis, vídeos, fotografias, tatuagem e body art, Yonamine constrói instalações de grande escala caracterizadas por uma estética exacerbada e «carnavalesca». Com recurso a um humor e ironia sofisticados, são remixadas as mitologias do campo artístico e do seu status quo e criticamente repensada a relação entre a Europa e, especificamente, Portugal e o seu passado-presente colonial.

Assim, a História da África e da sua diáspora, a migração, os processos políticos e ideológicos de extração, desapropriação e desumanização, a invasão e dominação culturais ocidentais e as formas contemporâneas de colonização (na linguagem, no imaginário popular e em políticas económicas) formalizam um encontro — e são sintetizados na apropriação da icónica frase: «It’s expensive to be poor.»

(Cortesia Cristina Guerra Contemporary Art)

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