Dos seus inícios humildes e suados na garagem a levantar do tapete uma poeira psych lo-fi à ascensão a palcos de festivais imponentes como o Trans Musicales ou Eurosonic e aparição na KEXP, o reconhecimento gradual deste quarteto bracarense ao longo da última década tem-se feito a pulso e bravura à medida da sua própria evolução. Ou, por outras palavras, na criação de uma identidade cada vez mais vincada e segura de si mesma. Natural, mas nunca fácil. Cada vez mais arredados da esfera de influência de bandas como Slift ou King Gizzard & The Lizard, a banda composta por David Ferreira, Gonçalo Carneiro, Gonçalo Ferreira e David Ferreira revelou de forma bem incisiva a intensidade do seu rock psicadélico pesado, trashy e meio progressivo com a edição do celebrado Astromorph God em 2025, após o processo laminar operado em Ano Luz e Sinking Creation. Nessa curva ascendente, os Travo apresentam aqui o novíssimo Wasteland, disco que amplifica as projecções estelares de Astromorph Gods a um ponto de fusão onde os leads de guitarra expansivos, ritmos galopantes, cascatas de fuzz, passagens espectrais de sintetizador, delírios de wah wah, ecos e melodias vocais entre o berro e a memorabilia 70s se cristalizam num baque tão físico na sua musculatura sónica quanto aberto para devaneios mentais.
BS



