ZDB

NU NO ~ Em residência

22.04 — 07.05.26
ZDB 8 Marvila


NU NO © MárioMar

Trata–se de comunicar a inquietante estranheza da língua. A voz emanada do amplificador carece do timbre corpóreo distintivo da voz humana natural. A partir dos fragmentos do sentido, é precisamente no maquinismo, num ponto de ruptura, que se formula então, de súbito, a nostalgia da comunicação.

Um momento humano irrompe num lampejo, o sujeito inteiro é por meros momentos encontrado quando o olhar localizou a voz e a devolve ao corpo.

É com estas bonitas palavras que NU NO, ou Nuno Marques Pinto, expressa a natureza de ‘Canto Ventríloquo’. Título certeiro, e muito à imagem do seu criador, para este seu novo álbum que é apresentado na ZDB 8 Marvila no dia 17 de Maio, na sequência de uma residência artística a ter lugar nesse mesmo espaço entre 22 de Abril e 7 de Maio. Actor, performer, rádiotransmissor e músico calejado e carismático, Nuno Marques Pinto tem rasto de trabalho longo e focado, entre a passagem pela companhia Escola da Noite e a fundação do Teatro Marionet, ambas em Coimbra, performances com artistas como Jonathan Uliel Saldanha ou Alexandre Estrela, peças para rádio e actuações ao vivo, tanto a solo como, mais recentemente, na banda Nu No e o Resto. Seguindo-se a registos como ‘Turva Lingua’ ou ‘Invenção Única’, este novo álbum de NU NO, com edição pela francesa La République des Granges, continua o seu processo de disrupção das lógicas canónicas e formais da linguagem, onde o corpo se faz voz para daí assumir uma multiplicidade de significantes e significados, sob a forma de repetições obsessivas, urros, palatos rítmicos, processamento, corte e colagem, canto ou declamações com tanto de Alan Vega como de Ghédalia Tazartès no espírito, mas incorporado numa realidade, ou múltiplas realidades, muito sua.
BS

NU NO

Nuno Marques Pinto é actor, performer, rádiotransmissor e músico.
O seu trabalho é uma reflexão sobre a voz e as suas implicações linguísticas. Dá primazia às formas pré-verbais da linguagem com o intuito de transformar e transtornar a sua lógica discursiva, utilitária e funcional.
Privilegia-se a voz ou as vozes enquanto corporeidade, onde o respirar, o ritmo, o agora da presença carnal têm precedência sobre o logos.

Como ator destaca a sua passagem nos anos 90 pela Companhia Escola da Noite (Coimbra) onde interpretou autores como Samuel Beckett, Gil Vicente, Sófocles, Heiner Müller, entre muitos outros. Foi fundador da Companhia de Teatro Marionet (Coimbra), em 2000.
Na cidade do Porto, colabora regularmente com o artista Jonathan Uliel Saldanha, como interprete, em peças de teatro/performance (Poço e Sancta Víscera Tua) levadas à cena no Teatro Rivoli e na Igreja de Santa Clara; em instalações sonoras e de vídeo (Afasia Táctica e After the Law) apresentadas na Culturgest – Porto, no Palais de Tokyo – Paris e Solar Galeria – Vila do Conde. Apresentou diversas ações poéticas e performances em colaboração com a Oficina Arara.
Como actor, criador e performer destaca a peça Voltaire ou a Máquina de Proteu, que celebrou os 100 anos do dadaísmo, na Livraria Gato Vadio, no Porto, e Jardins Efémeros, em Viseu; Harpoemacto, com a harpista Angélica Salvi (Cooperativa Árvore); Marte e Núpiter duo, com Marta Ângela dos Von Calhau (Museu do Chiado e Atelier Alexandre Estrela nas Noites da Filho Único).
Tem vindo a desenvolver um corpo de trabalho na área da poesia fonética. Editou vários discos nomeadamente: Turva Lingua | NU NO | 8mm Records; RÁDIO AFÓNICA | NU NO | full body massage records; NU NO | NU NO | Russian Library; Invenção Única | Nu No | edicoesamateur.
As suas performances passaram por cidades como Berlim (Cashmere Radio, Art Geyger Gallery, Tannenbaum, Madame Claude); Halle (Radio Corax); Lima (Sonar Lima, El Paradero); Macau (Extensão da Fundação Oriente); Madrid (Medium Lab Prado, Real No Real); Porto (Serralves em Festa, Rampa, Oficina Arara, Gato Vadio, Teatro Rivoli); Lisboa (Noites de Verão da Filho Único – Museu do Chiado, Galeria Zé dos Bois); Barreiro (OUT-FEST 2024); Vilnius (Festival Jauna Musika 2025); Santiago de Compostela (Festival Paisaxes Liminais 2025); e Malpartida de Cáceres (Ciclo de Música Contemporânea no Museu Vostell 2026).
Integra o projecto RedSkyFalls de Alexandre Estrela que irá representar Portugal na Bienal de Veneza em 2026.

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