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Concertos

Avey Tare

— ZDB na Igreja de St. George

Ter21.11.1722:00
Igreja de St. George

ZDB apresenta Avey Tare na Igreja de St. George.

Com a companhia e cumplicidade de Noah Lennox (Panda Bear), David Portner (Avey Tare) tem vindo a calcorrear desde ‘Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished’, esse fascinante mundo erigido e continuamente cartografado por Animal Collective, naquela que é uma das mais influentes e fascinantes trajectórias da música popular deste século – sem grande espaço para discussão. A mapear novas realidades na canção, com uma visão e sentido de descoberta tão genuína quanto ressonante e que é também domínio absoluto numa ainda breve discografia a solo.

Sete anos após a estreia a solo com ‘Down There’ e com ‘Enter the Slasher House’ do combo Avey Tare’s Slasher Flicks pelo meio, Porter regressa mais ambicioso, mas imbuído na mesma fé e humanidade com ‘Eucalyptus’ pela Domino. Espírito inquieto num planar elíptico onde a canção se transfigura numa entidade com tanto de estranho quanto estranhamente familiar, Avey Tare recolhe-se nos recantos da sua mente como quem procura algum tipo de revelação ancestral, mas sabe que parte do interesse e da verdade estão pelo caminho. De uma honestidade assoberbante.

Face à aura negra e ambiente lamacento que permeava as canções subterrâneas de ‘Down There’, ‘Eucalyptus’ encontra Avey Tare num espaço mental mais luminoso. Contando com os préstimos de Angel Deradoorian – ex-Dirty Projectors e sua parceira nos Slasher Flick’s -, Susan Alcorn, Jessika Kenney ou Eyvind Kang, e captado na lente crepuscular do sol da Costa Oeste por Josh Dibb (Deakin) ‘Eucalyptus’ revela um processo intuitivo onde a voz e as palavras ilusórias de Avey Tare se enredam num caleidoscópio de guitarras acústicas, coros etéreos, percussões rasteiras, lap steel, colagens oníricas, orquestrações dolentes e demais arranjos fantasma.

Influência directa da sua mudança para a Califórnia, ‘Eucalyptus’ entrelaça a narrativa e o som num reflexo do ambiente em seu redor, a canalizar paisagens, figuras e histórias em canções esquivas que fluem em stream of consciousness, sem nunca se retrairem num miasma hermético ou opaco, por entre sombras da folk, country, pop ou electro-acústica. Chamamento para uma visão que se quer comunal e que tem neste dia palco privilegiado. BS

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