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Transdisciplinar
segundas na z

solos: Connor Scott ~ segundas na z

seg04.05.2622:00
Galeria Zé dos Bois


Connor Scott
Northern Soul Archives
Northern Soul Archives
Northern Soul Archives

solos é uma investigação em curso que nasce dentro do programa das segundas na z.
Partindo das qualidades inerentes ao solo, convidam-se e desafiam-se diferentes pessoas a olhar por dentro da sua prática e a expandir e a re-imaginar novos limites para o que pode [ser] um solo.
Um colectivo será tanto ou mais quanto maior o reconhecimento dos inúmeros solos que o compõem.
Como pode um solo informar o colectivo? Como é que a estrutura e sobrevivência do colectivo passa também pela força e pelo desenho dos diferentes solos?

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À terceira é de vez
Connor Scott

À terceira é de vez é um momento no processo de desenvolvimento de um novo trabalho a solo que estreará em abril de 2027. A convite de Laura Gama Martins, no âmbito do projecto solos dentro das segundas na z, fui convidada a apresentar algo que refletisse sobre o conceito de solo.
Em 2017, estudava dança em Londres quando me deparei com uma pista de dança quase vazia numa discoteca, durante uma saída com alguns amigos. Havia alguém a ocupar um canto da pista, aparentemente a deslizar e a girar em espiral ao ritmo da música. Tentei, sem sucesso, imitar os seus movimentos, mas desisti rapidamente, impressionado com a mecânica escorregadia do passo. Só anos mais tarde é que compreendi que ele estava a dançar um passo nascido do Northern Soul britânico dos anos 70 (…) — um movimento que espelhava elementos das maratonas de dança dos anos 30 ou mesmo do século XVII, sendo um ritual de fim-de-semana da classe operária britânica para libertar fisicamente tensões e restrições do trabalho industrial. (…)
Para além dos pontapés altos e das espargatas, foi a qualidade da espiral que me ficou na memória. Os seus corpos pareciam oscilar e fundir-se num estado de fluxo omnidirecional, não dançando um para o outro, mas quase bebendo a energia um do outro para lubrificar o ritmo da sala.
(…) Isso fez-me pensar numa conversa que tive com uma amiga. Estávamos a discutir as diferentes revoluções ao longo da história e as condições em que estas ocorreram. Ela afirmou «Já não precisamos de uma revolução, precisamos de uma “espiralução”, caso contrário, acabamos por voltar ao mesmo ponto de partida». (…)
Nos meus últimos trabalhos, tenho-me dedicado à ideia de escavar a presença da dança em vários locais; principalmente em arquivos folclóricos, mas também no local onde a performance se realiza; observando a dança como uma espécie de mineral que está sempre lá e que apenas precisa de corpos para ser desenterrada. (…) Este será o meu terceiro trabalho a solo e a segunda vez que partilho algo nas segundas na z. Para esta ocasião, pedi ao meu amigo e músico Moss Kissing para me acompanhar, fazendo simultaneamente a sua estreia como DJ de Soul. Tendo várias sobreposições nas nossas práticas como o folclore, eu e o Moss colaboramos no meu primeiro trabalho a solo em 2021 e, voltando agora a reunirmo-nos na pista de dança.

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