“Tanta gente, donde vinha?”
Eduarda Dionísio
Não temos a certeza de tudo já ter sido dito e escrito sobre o processo
revolucionário de 1974-75 em Portugal.
Momento ímpar na história mundial, esta torrente de acções cívicas, de formas de organização política de base, de reivindicações de toda a ordem, por parte de uma população com fraca literacia, despolitizada até pouco tempo antes, a sair de 48 anos de ditadura, não deixa de nos espantar – a nós, que nascemos durante ou depois, que não temos memória directa de o ter vivido.
Estamos a perguntar sobre isto a quem o viveu desde há 15 anos, pelo menos, quando iniciámos o nosso trabalho documental sobre a memória política do século XX português.
E temos muitas histórias para contar.
Também tropeçámos num conjunto de obras literárias (e esquecidas) sobre isto – porque muito do que rodeia este processo é uma névoa de esquecimento e apagamento, apesar da prolífera produção artística da época e dos anos que se seguiram, em que a revolução e o processo eram protagonistas.
Este era o projecto que ainda queríamos fazer sobre isto.
No silêncio dos 50 anos do processo revolucionário português.
Um espectáculo mais poético do que documental, mais evocativo do que informativo, e em que a memória surge estendida sobre uma mesa de operações, pronta a ser dissecada, mas
conseguiremos?
“Ninguém nos inventa.”
Olga Gonçalves
Joana Craveiro



