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Transdisciplinar
segundas na z

As Flores + Polido ~ segundas na z

seg15.12.2522:00
Galeria Zé dos Bois


As Flores (2025)
As Flores (2025)
As Flores (2025)
As Flores (2025)

As Flores
2025, 62′

Através das quatro estações de um ano, uma praça no centro de Lisboa transforma-se. A repetição dos dias é observada através das quatro janelas de um quiosque de rua. As Flores usa o espaço do quiosque como dispositivo fílmico; ancorado no lugar, virado para o exterior, central e panorâmico. A partir de planos fixos sempre filmados a partir do interior do quiosque, encontramos um panóptico invertido, uma torre de vigia. As figuras aparecem e reaparecem, os gestos repetem-se, as rotinas consolidam-se, bem como as suas rupturas – o alcatroamento da rua, a pintura do marco do correio, a poda das árvores, uma rusga, o turismo.

Há 10 anos desci a Rua de São Marçal em direcção à Praça das Flores, onde passei um ano dentro de um quiosque com o telemóvel pousado dentro de um copo transparente a servir de tripé. As imagens que filmei foram todas publicadas no @aneladamosogarff e numa segunda-feira de Abril, quase todas apagadas. Passei milhares de horas dentro daquele quiosque a servir pessoas e a ver o tempo a mudar. A ocupação do espaço público por quem o habita e o trabalha é um gesto de resistência à privatização do que é comum. O filme começa e acaba com os corpos das pessoas que trabalham e trabalharam ali: nas paredes, na farmácia, na calçada, na óptica, nas árvores, no supermercado, na estrada de alcatrão, nos prédios e no quiosque. Pelo meio, aqueles que por lá passaram com as suas palavras e os seus gestos, as suas dores, raivas, alegrias e paixões. As imagens que filmei surgem de um corpo que se manteve imóvel num lugar, durante um ano, a olhar e a ser olhado. Não é um filme sobre um lugar, é um filme de um lugar.

Polido é um músico e artista de Marinha Grande.
A partir de uma abordagem materialista ao som, Polido trabalha questões relacionadas com a memória cultural, a tradição, a tecnologia sonora e as articulações entre a história da música e a sociopolítica.
A música, unida por um vocabulário pessoal, reúne narrativas surreais para espaços concretos.
O trabalho surge sob a forma de concertos, misturas, performances, textos, palestras, sessões de audição ou instalações para contextos europeus como Batalha – Centro de Cinema, ICA Londres, 12.ª Bienal de Berlim, MAAT, Sismógrafo, NTS Radio, Sonsbeek 20->24, Ruhr Ding e Spirit Shop.
Polido dirige a editora Projecto de Vida, através da qual organiza noites de música e conversação.
A sua música foi publicada pelas editoras ANA, Holuzam, Bus Editions, Lynn, Left Alone e c-.
Paralelamente, colabora com outros artistas e cineastas na pós-produção sonora de filmes como designer de som e misturador
e é atualmente professor convidado na Escola de Artes da UCP, no Porto.

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