Assumindo o paradoxo que é repudiar o paleio sensacionalista futebolístico da expressão ‘jovem promessa’, pelo seu vazio e falácia, ao mesmo tempo que a invocamos, aproveitamos o lugar comum para assegurar que faz já tempo que Bernardo Tinoco é uma certeza do jazz português de agora. Membro central nos GARFO, turma que conta com alguns dos músicos fundamentais no seio do jazz da sua geração, como João Almeida, João Fragoso e João Sousa, Tinoco tem vindo a desenvolver uma linguagem – principalmente – no saxofone cujo reconhecimento devido tem acontecido em tempo real. Com o seu trabalho na Clean Feed e na Robalo a ser revelador disso mesmo, através de um bonito disco com o pianista Tom Maciel – onde Tinoco dá também mostras de desenvoltura na flauta e no duduk – e de DAYA, na companhia de Marta Rodrigues e João Hasselberg. Apresentando aqui uma nova formação internacional, Creature Close Up, com Malina Midera no piano, Minki Cho no contrabaixo e Patrycja Wybrańczykna bateria, Tinoco continua esse processo de desenlace de uma ou várias visões cada vez mais vastas e suas, onde o jazz se move com elegância num espaço contemplativo e muito lírico, mas aberto a inúmeros encaixes e subtis disrupções harmónicas, sempre com sentido.
BS



