ZDB

Artes Visuais

Jardim Concreto

— instalações de Patrícia Portela e Christoph De Boeck ⟡ coletivo Berru ⟡ Paulo Morais

Sáb04.07.20
Dom05.07.20
Sáb11.07.20
Dom12.07.20
Sáb18.07.20
Dom19.07.20
Fundação Calouste Gulbenkian ⟡ Jardim

Jardim Concreto é composto por três instalações: À Margem (Paulo Morais); HORTUS (Patrícia Portela e Christoph De Boeck) e ESTADO EROSÃO (Berru) que prestam homenagem ao som enquanto matéria, à fauna e flora endémicas do Jardim Gulbenkian, e mesmo, à sua matéria orgânica. Pretende-se realçar a paisagem do Jardim, identificar certos elementos próprios, auscultá-los e devolvê-los, amplificados, e através desta mediação promover a reflexão sobre questões actuais: a nova época geológica em que vivemos, a crise ambiental provocada pela actividade humana e as repercussões – sociais, ecológicas e económicas – desta actividade.

À Margem ⟡ Paulo Morais

O rolar aéreo de um objecto metálico que faz um percurso entre uma e outra margem do lago, cria uma sonoridade hipnótica resultado do atrito feito pelo movimento do mesmo nos cabos que lhe servem de caminho. A sonoridade dessa acção é captada e amplificada no momento da apresentação.

O trabalho de Paulo Morais tem como base uma constante pesquisa sobre a atenção — descobrir, filtrar, e evidenciar — em processos de confrontação ou associação de ideias e objectos. As suas instalações evidenciam a percepção de tempo e movimento, que se prolonga “infindavelmente”, aludindo à experiência: movimento perpétuo. Neste processo criativo, o vento, luz, fogo, água, gravidade e magnetismo são impulsionadores de uma acção que se traduz em peso, resistência, atrito, tensão, queda ou inércia, dando origem a acontecimentos sonoros sobre a reciprocidade “causa-efeito”. O resultado são propostas abertas de paisagens visuais e sonoras que trabalham com a atenção e o detalhe.

HORTUS ⟡ Patrícia Portela e Christoph De Boeck

Em 2012, Patrícia Portela & Christoph de Boeck juntavam-se para propôr em HORTUS uma ecologia para o futuro, um espaço acústico que se adaptava às condições meteorológicas e à actividade humana. O futuro era o longínquo ano de 2020, o tema, as alterações climatéricas, e uma questão central: e se o melhor a fazer para mudar o mundo for parar?

Em HORTUS, um labirinto de caixas negras, espalhadas pelo jardim, medem a dinâmica do vento, a captação da luz e a intensidade da ocupação humana. Um algoritmo processa a informação dos sensores instalados no jardim e decide qual a “eficácia” de cada planta na captação de cada um destes três elementos e redistribui a paisagem sonora que ouvimos. Pequenos altifalantes, nos arbustos ou nas árvores, reproduzem o chilrear dos pássaros, quais fantasmas sonoros.

Uma rede de micro-histórias, impressas em placas botânicas feitas de e-papel comparam definições – políticas, económicas, sociais ou ecológicas – de palavras tão simples como “regeneração”, “beleza” ou “tempo”. Crescer não é o mesmo para uma unha, uma pessoa ou um PIB de um país. A decomposição de um ser humano, de uma planta ou de uma lixeira tem aspectos diferentes e muito específicos a cada um.

Conceito e som: Christoph De Boeck; Conceito e texto: Patrícia Portela; Electrónica: Culture Crew; Algoritmos: Luis M. Russo; Construção e design das placas: Brian Rommens e João Gonçalves; Edição de Texto: Isabel Garcez; Pós produção e-placas botânicas e montagem: irmã lucia efeitos especiais; Produção: Prado e deepblue: Ilse Joliet, Pedro Pires, Helena Serra; Co-produtores e parcerias: Maria Matos Teatro Municipal, Kaaitheater, ICA, Festival Van Vlaanderen, Embaixada de Portugal na Bélgica, Verbeke Foundation, Festival Escrita na Paisagem, Câmara Municipal de Lisboa/Direcção Municipal de Cultura e ZDB.

ESTADO EROSÃO ⟡ Berru

ESTADO EROSÃO tem como motivação produzir uma peça que acontece durante um período de tempo. Conceptualmente pretende-se devolver materiais naturais à terra, de forma autosuficiente; tecnologia invisível. O processo de criação destas obras passa por identificar matéria orgânica do jardim Calouste Gulbenkian, conformá-la em tijolos de composto agregado, com eles construir uma escultura minimal que ao longo do tempo (com impulsos artificiais e naturais) se decompõe e retorna à sua origem.

O colectivo Berru foi criado no Porto em 2015 e desenvolve um trabalho que tem refletido sobre a relação íntima do ser humano com a máquina – uma relação que se debruça cada vez mais sobre questões filosóficas, antropológicas, políticas, sociais e éticas – ultimamente, tem também envolvido sistemas biológicos vivos. Foi prémio SONAE MEDIA ART 2019, MNAC, Lisboa (com systems synthesis.)

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