Parte do desafio de quando se pensa em música de guitarra associada a um plano experimental passa pelos constantes desafios em inovar, em soar novo, encaixar o som de guitarra em situações improváveis, imprevisíveis/incertas. Isso move as coisas para a frente. Alpha Maid surgiu em finais da década passada, associada ao Curl – colectivo e editora de Mica Levi, Coby Sey e Brother May – e tem editado com alguma regularidade desde então, em nome próprio e colaborações. O mais recente álbum, Is this a queue, do ano passado, chamou as atenções e convidou-a para algumas listas de melhores do ano.
Álbum com um carácter híbrido, fruto de ter sido gravado ao longo de vários anos, com uma coerência entre temas algo ausente, mas uma clara identidade de saber fazer e de onde quer chegar. É, de uma forma muito particular, um disco de guitarra, em que nuvens dub se tornam presentes como fios condutores para uma ideia de dança suja, com laivos de This Heat, A Certain Ratio, Slint, Black Dice e, mais recentemente, Still House Plants ou caroline. Tudo isto sem novidade, para quem acompanhava o seu trabalho, foi apenas o refinar de uma ideia de criar um som da frente, completamente identificado com a ideia de música urbana da actualidade: caótica, incerta, defumada, sem rumo ou uma grande vontade de ter uma fundação, prefere estar assente em várias.
O que esperar de Alpha Maid ao vivo? Algo que nos destabiliza por caminhos imprevisíveis, entre o noise/dub e o ruído da informação. Em simultâneo, que reconforta pela forma como nos parece ouvir e nos faz querer ser ouvidos, com um som que tem tanto de afirmação como resposta, em constante evolução, convicto de que o resultado tem tanto de imprevisível como pessimista. Não é assim o futuro?
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