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Funaná Kotchi Po com Dju Di Mana e convidados

— 'Funaná, Raça e Masculinidade: uma Trajetória Colonial e Pós-colonial'

Sáb23.10.2118:00
Galeria Zé dos Bois


© Rui Cidra
© Rui Cidra
© Rui Cidra
© Rui Cidra
© Rui Cidra

Lançamento do livro Funaná, Raça e Masculinidade: uma Trajetória Colonial e Pós-colonial de Rui Cidra
Concerto Funaná Kotchi Po com Dju Di Mana e convidados

No dia 23 de Outubro pelas 18h tem lugar o lançamento do livro Funaná, Raça e Masculinidade: uma Trajetória Colonial e Pós-colonial na presença do autor Rui Cidra, de Dju di Mana (tocador de gaita), Florzinho (Adriano Correia Furtado, tocador de ferro) e de Nuno Domingos (antropólogo e editor da Outro Modo, ICS). Este lançamento será seguido pelo concerto Funaná Kotchi Po de Dju Di Mana e os convidados Vani Di Xilo, Íman África, Jovino, Janu e Otávio.

O funaná é uma prática de música e dança que foi criada pela população camponesa da ilha cabo-verdiana de Santiago no período pós-escravatura do final do século XIX. Originado nas performances de tocadores de gaita e fero em sociabilidades familiares e comunitárias, foi proscrito por administradores e clérigos durante o período final do colonialismo português. Após a independência de Cabo Verde, o interesse de jovens músicos por esta história marginal motivou a criação de novas estéticas de música popular. Apesar de gradualmente aceite no quadro de uma cultura oficial crioula promovida pelo Estado, o funaná permaneceu uma prática icónica de uma masculinidade entendida enquanto “africana”. Este livro situa o funaná na história social e política colonial e pós-colonial. Questiona em particular de que modo este género de música e dança foi historicamente racializado e que legados deste processo persistem no presente.

⟡ Lançamento do livro – 18:00
⟡ Concerto* – 19:00

* Para assistir ao concerto é necessário a compra de bilhete.

Rui Cidra

Antropólogo e investigador contratado na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa.
Ao longo do seu percurso tem trabalhado sobre o modo como a música e a dança são mobilizadas na demarcação de fronteiras de raça, género, classe social, nação e diáspora entre os momentos colonial e pós-colonial.
Foi editor adjunto e redator da Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX. A sua investigação está igualmente publicada em revistas científicas internacionais como Ethnomusicology Forum ou Postcolonial Studies e nos volumes Europe e Africa da Bloomsbury Encyclopedia of Popular Music Genres of the World.

Dju di Mana

Dju di Mana (António Virgolino dos Santos Moreno) é um tocador de gaita (acordeão diatónico de botões) na tradição do funaná da ilha de Santiago. Em criança e jovem participou enquanto instrumentista em eventos de organizações do regime de partido único em Cabo Verde (1975-1991) como a OPADCV (Organização dos Pioneiros Abel Djassi de Cabo Verde) e a JAACCV (Juventude Africana Amílcar Cabral de Cabo Verde). No final da década de 90, inspirado pelo ressurgimento do funaná e a inclusão da gaita e fero na configuração de grupos de música popular, formou na cidade da Praia o agrupamento Rabenta (1997) com o qual gravou dois discos (Nha Fula, 1998 e Carranganhada, 2000). As suas interpretações estão igualmente registadas em discos de Zeca di Nha Renalda (Zeca di Nha Renalda 20 Anos Depois), de Gilyto (Pa Bu Larga), do grupo de batuko Tchubenka ou numa coletânea incluindo vários tocadores de gaita, vivendo em Santiago e em Portugal (Fidjos di Funaná). No âmbito dessas colaborações ou com o seu grupo apresentou-se em festivais e salas de espetáculos em várias ilhas de Cabo Verde, na África Ocidental, nos EUA e em Portugal. É, contudo, em contextos como aqueles dos cafés da cidade da Praia, das festas em localidades do interior da ilha de Santiago ou das sociabilidades da comunidade cabo-verdiana santiaguense na Área Metropolitana de Lisboa que atua com maior frequência. Nesses contextos o seu estilo instrumental e as suas composições de funaná têm contribuído para processos de mudança musical e estilística como a emergência do estilo recente do funaná kotxi pó.

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