os intrusos esbanjaram luz. o título veio como um tropeço, a meio d’A Invenção de Morel, obra que Isabel e Pablo leram, juntos, e que os inspirou a cruzar os seus dois imaginários. o primeiro, definido sob a noção multifacetada de memória, a partir das experiências explosivas e metamórficas de um vulcão nos Açores. o segundo, por uma curiosidade irresoluta pelas características particulares do longo processo de mutação das laranjas (tão intrusas e abundantes em terra portuguesa quanto Pablo ou à própria ideia de Portugal — que significa, também, “laranja” em árabe).
com os vulcões e as laranjas, mas também com os fungos que crescem sobre as fotografias de Isabel, alimentados por limão e farinha, faz-se um caldo poderoso de possibilidades. como aquele primordial, que teria originado a origem, mas que não deixou de precisar de ingredientes tão misteriosos quanto mundanos. são muitas as receitas que fizeram vida, afinal — todas aqui e agora, sobre as superfícies terrestres, o chão, a casca, a pele. (…)



