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Colectivo Casa Amarela x ZDB: Jejum #43 c/ bela + Vomir

sex31.07.2622:00
Galeria Zé dos Bois


bela © Camille Blake
Vomir
© multa0000

bela

Artista de origem sul-coreana, assente entre Berlim e Praga, bela opera num complexo e cativante espaço de transformação. Entre visões e invocações, o ancestral e o visionário, o ruído e o silêncio, explora as múltiplas interseções possíveis entre estas aparentes dicotomias. Dissecando a tradição musical da sua terra natal, apodera-se de elementos estéticos e de memórias coletivas para os integrar numa moldura de gravuras texturalmente exuberantes. Sente-se o arranhão nas cordas, vocais e instrumentais, num ambiente inóspito, revelador de detalhes capazes de abrir brechas no chão. São composições sinestésicas e surrealistas, de carne e osso, que se alojam nos confins da consciência. Brilhante na gestão microtonal que frequentemente convoca, o som derrete-se e o metal respira numa experiência imersiva que, com notável fluidez, não cessa de sondar novos territórios.

Um dos melhores segredos deste ano chama-se Korean Love Sonnets. Documento sonoro intensamente vívido, centrado na voz, propõe um conjunto de mantras guturais, som em estado bruto e outras fantasias psicotrópicas envoltas em lava quente e fumegante. Trilhando caminhos sob a detonação de nomes como Wolf Eyes, Okkyung Lee ou Sunn O))), gere a tensão a partir de uma ótica indutora de um profundo estado de absorção emocional e sensorial. Do histórico Berghain ao não menos mítico Café OTO, passando por certames de referência como Rewire e Unsound, bela move-se sem fronteiras geográficas, estilísticas ou identitárias. Uma valente cartada na música exploratória dos nossos dias.
NA

Vomir

Figura veterana, embora ainda desconhecida para muitos, o francês Romain Perrot, também conhecido como Vomir, dedica há mais de duas décadas a sua atividade ao êxtase do imaginário europeu da música extrema. Visão que viria a materializar no seu Manifesto do Muro Brutalista. Enfant terrible por natureza, apresenta conceitos radicais e subverte perceções estabelecidas. Enquanto epicentro filosófico do harsh noise wall, a sua indagação da matéria sonora mais bruta parece invariavelmente sedenta por ir mais longe. Minimalista, saturado e volumoso, o seu trabalho gera uma sensação de sucção quase física. Apesar da agrestidade da obra, encontra-se uma estranha dimensão contemplativa, até meditativa, no coração do mais puro caos. São já cerca de três centenas de registos a alimentar este fluxo sónico que continua em permanente expansão.

Símbolo de militância dentro do género, Vomir não só reuniu admiradores como ajudou a nutrir toda uma comunidade. Da sua editora, Decimation Sociale, às inúmeras colaborações e projetos paralelos, a hiperatividade de Perrot reflete partilha e resistência. Um verdadeiro tropa que, em palco, construiu um mito assente em abordagens inusitadas, elegantemente conceptuais e confrontacionais.
NA

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