Chegando com total impunidade e sem grande surpresa à International Anthem, Kalia Vandever estreia-se a solo na ZDB nos auspícios de ‘Mana’. Segundo tratado solitário de Vandever, tromboniste e compositore, de Nova Iorque, após a estreia deslumbrante com ‘We Fell In Turn’ na AKP Recordings, ‘Mana’ expande uma visão já aí bem delineada, em continuidade com a envolvência atordoante desse primeiro álbum. Convocando pela primeira vez a sua própria voz, ‘Mana’ abre uma panorâmica sobre os processos electro-acústicos da estreia, enovelando a languidez melódica do sopro do trombone em nuvens condensadas a partir do processamento electrónico do mesmo, numa aura de reverberações e miragens, pautada por acordes de piano em contemplação sentida. Dessa qualidade etérea, emerge a sua voz com uma soulfulness sem maneirismos, como que um chamamento à terra, um reflexo poético de todo o lirismo subentendido nas harmonias celestiais de ‘Holding’, na melancolia resignada de ‘Your Fault’ ou no “madrigal” de ‘Waiting’. Sublimação da esfera pessoal de artista cujos créditos firmados no meio do jazz, através de discos cinemáticos em banda como ‘Regrowth’ e ‘Another View’, levaram Kalia a tocar com Harry Styles(!) ou Japanese Breakfast e tem aqui portal para revelações somente suas. Que nos acolhem.
BS



