ZDB

Artes Performativas
Teatro

Paixão segundo João

— Pedro Lacerda

24.11 — 27.11.20
02.12 — 04.12.20
09.12 — 11.12.20
© Vera Marmelo
©Vera Marmelo
© Vera Marmelo

Direcção Pedro Lacerda
Com Vítor d’Andrade, Pedro Lacerda e José Grazina

Após “Lenz” e “hOtelo”, espectáculos de Pedro Lacerda estreados no Negócio em 2014 e 2015, A “Paixão segundo João” volta a reunir elementos da mesma equipa e desenvolve-se também em parceria com a ZDB inaugurando o NOVO NEGÓCIO. Segundo Pedro Lacerda, esta escolha não se destina a manter uma linguagem já experimentada mas a fazer crescer um espaço de experimentação livre, e decorre de uma lógica de entendimento na continuidade de uma relação de confiança artística mútua.

Esta peça, que integra “Quatro actos Profanos” de Antonio Tarantino (e ganhou em 1994 o prémio Riccione e em 1998 o prémio Ubu), conta a viagem de um doente mental, acompanhado por um enfermeiro, às diferentes secções da Segurança Social para obter ou não, o seu estatuto de “louco”. Se o texto nos propõe magistralmente momentos engraçados e outros trágicos, as circunstânicas actuais reforçam a sua vertente distópica, e a par da vontade de acompanhar o trabalho desta equipa, também o facto de Tarantino nos ter deixado recentemente e de nos encontrarmos em situação excepcional de pandemia, constituem condições que nos impelem a uma nova leitura.

A “Paixão segundo João” é um texto de Antonio Tarantino sobre a santificação do indivíduo. É um caminho de santidade, construído de uma forma paralela ao Evangelho de São João, nos capítulos 18 e 19, onde é descrita a paixão de Cristo. Aqui em vez de Monte das Oliveiras, de traições de Judas, interrogatórios, julgamentos e crucificações temos o bar do hospital, a sala de espera da segurança social, o consultório do médico, o medo dos electrochoques. Um doente mental (Eu-Ele), que se toma pelo filho de deus, percorre a sua via sacra acompanhado por um funcionário da instituição (João). É a viagem em estações, como uma via sacra, revisitada por dois indivíduos. Um esquizofrénico, de linguagem limitada e repetitiva e outro um homem simples, de linguagem telúrica, presente e participativa. Os sentidos das realidades da esquizofrenia são tão verdadeiros como outros suportados pela razão. E é incrível como a realidade afastada nos comove tanto, cidadãos da terra. Segundo o autor, a mais pequena centelha de expressão poderá conter toda a poesia, hoje. É esse o caminho que este projecto almeja, a tentativa de conseguir por um instante ser possuidor de toda a poesia do mundo. A “Paixão segundo João” é um espectáculo sobre a vida, sobre a justificação da existência para que não possa ser definida como um fracasso. No pressuposto paranóico que a racionalidade não pode ser entendida senão de uma forma religiosa porque fere o ser e equivale ao caminho para a cruz. É um teatro quântico, de partículas pequenas, porque o ser individual pouco importa, e o espanto das realidades choca, colabora, sobrepõe-se, tem interpretações diferentes consoante o observador.
Como na física, depende de mim ou dele ou do João ou do público, depende do observador. E as versões colaboram e embatem e criam o teatro. A colisão que pode mostrar a explicação do universo. E a explicação do universo é toda a poesia do mundo. É isto que procuramos neste projecto: expor um ambiente de colisões, de observação de diferentes dimensões, em tempos relativos. O resultado final poderá conter, talvez, a explicação do Mundo, hoje e aqui. Eu-Ele vai salvar o mundo para os que nele acreditam, mas mais importante vai justificar perante a vida a sua existência. Os pobres de espírito são inimputáveis.

 

A peça terá lugar no NOVO NEGÓCIO, cumprindo as regras de distanciamento social previstas pela DGS. A lotação é limitada e uso de máscara obrigatório.

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