ZDB

Artes Visuais
Cinema

TO FILM WITH ONE HAND MY OTHER HAND

— Ciclo de cinema

Seg05.07.2121:00
Seg12.07.2121:00
Seg19.07.2121:00
Seg26.07.2121:00
Galeria Zé dos Bois


© 'Hand Film', Yvonne Rainer
© 'Aquí y Allá' by Melisa Liebenthal
© 'Aquí y Allá' by Melisa Liebenthal
© Sílvia Prudência
©' 'the names have changed, including my own and truths have been altered', Onyeka Igwe

A ZDB apresenta o ciclo de cinema To Film With One Hand My Other Hand, uma programação de Sara Castelo Branco.
Todas as segundas-feiras de Julho, às 21h, no Aquário da ZDB.

Num contexto marcado crescentemente pela sutura entre o corpo e a técnica, Gilles Deleuze (1981) anunciou que o digital parece marcar a subordinação da mão ao olho: a visão torna-se interior, e a mão é reduzida ao dedo, que intervém apenas para seleccionar unidades que correspondem a formas visuais puras. Se a expressão digital tem paradigmaticamente a mesma origem latina que a palavra dedo (“digitus”), Vilém Flusser (2007) dá continuidade a esta enunciação deleuziana quando exprime que o progresso tecnológico das formas digitais levou ao nascimento de um humano que carece de mãos restando-lhe agora apenas as pontas dos dedos. Envolvendo transições intrínsecas entre o biológico e o técnico, o óptico e o táctil, o arcaico e o contemporâneo – as mãos, e a sua iconografia, estão enredadas numa evolução biológica, técnica e simbólica, cuja expressividade está vinculada à prática artística, às leituras proféticas das palmas, aos processos de biometria contemporâneos, às representações da intimidade, ou a inúmeros movimentos de resistência social, económica e política.

Cruzando diferentes geografias e temporalidades, ‘To Film With One Hand My Other Hand’ apresenta uma selecção de filmes de artistas e de cinema experimental que exploram o papel da mão enquanto mecanismo de acção, apagamento, revelação ou performatividade. Este ciclo de filmes aborda temas como a experiência e a representação da mulher; a linguagem visual e simbólica dos gestos cinematográficos; os sistemas de produção de memória; a desconstrução das expressões coloniais na África Ocidental; as memórias revolucionárias do século XX; ou, a relação entre o humano e a natureza. A expressão da cineasta Agnès Varda que dá nome a este programa inscreve portanto uma conexão inerente e auto-reflexiva entre a mão e o filme; a potencialidade da mão enquanto mecanismo poético, discursivo e engajado. Sara Castelo Branco

PROGRAMA

SEGUNDA, 5 JULHO
1ª Sessão (76′)
Apparition (2019) – Ismaïl Bahri
Der Ausdruck der Hände (1997) – Harun Farocki
Black Pond (2018) – Jessica Sarah Rinland

SEGUNDA, 12 JULHO
2ª Sessão (44′)
Fake Fruit Factory (1986) – Chick Strand
Hand Film (1966) – Yvonne Rainer
Hände: Das Leben und die Liebe eines Zärtlichen Geschlechts (1926-1928) – Milkos Bandy & Stella Simon

SEGUNDA, 19 JULHO
3ª Sessão (51′)
Pasadena Freeway Stills (1974) – Gary Beydler
Aquí y Allá (2019) – Melisa Liebenthal
Les Mains Négatives (1978) – Marguerite Duras
Palmistry (1973) – Maria Lassnig

SEGUNDA, 26 JULHO
4ª Sessão (58′)
the names have changed, including my own and truths have been altered (2019) – Onyeka Igwe
The Embassy (2011) – Filipa César
A Caça (1964) – Manuel de Oliveira

Sara Castelo Branco

Sara Castelo Branco. Doutoranda em Arts et Sciences d’Art e Ciências da Comunicação pela Université Paris 1 – Panthéon Sorbonne (Paris) e Universidade Nova de Lisboa (Lisboa), como bolseira da FCT. Desenvolve uma investigação doutoral sobre as relações entre arte e cinema no contexto da arte contemporânea portuguesa. Investigadora da ICNOVA – Cultura, Mediação e Artes (FCSH-UNL). Tem vindo a fazer a curadoria de sessões de filmes de artistas e cinema experimental como Ecologicity Sessions (Turim, CRIPTA 474), Under the Ground (Lisboa, Galerias Municipais de Lisboa) ou Out Off Nature (Berlim, Arsenal – Institut für Film und Videokunst). Na área da investigação e da crítica sobre arte contemporânea portuguesa, contribui regularmente com artigos e ensaios para revistas e catálogos.

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