Ofícios (1979) e Makumukas (1979) de Ruy Duarte de Carvalho
(Doc., 29′ e Doc., 27′, respectivamente)
A sessão será seguida de uma conversa com Rute Magalhães, fotógrafa que acompanhou a rodagem dos filmes e que irá apresentar uma seleção de imagens produzidas nesse contexto.
Filmados na Chibia, em Junho de 1977, Ofícios (1979) e Makumukas (1979) integram a série Presente Angolano, Tempo Mumuíla (1979), composta por dez documentários.
Conforme preconizado pelo título, Ofícios retrata o exercício das funções especializadas na sociedade ovamwhila – oleira, ferreiro, kimbanda e cabeleireira –, cuja aquisição só se torna possível mediante a intervenção de um espírito «linhageiro», isto é, pertencente a um/a familiar falecido/a.
Rodado ao longo de oito horas consecutivas, Makumukas regista o rito de iniciação de uma mulher no culto de um espírito «estrangeiro» à comunidade, neste caso, o de um mukubal pertencente ao grupo vizinho dos ovaherero.
Não obstante o recurso à antropologia – disciplina da qual faz uso para devidamente fixar, tratar e valorizar elementos pertencentes a um quadro sociocultural distinto do seu –, Carvalho sempre se mostrou contrário à classificação destes materiais como etnográficos: “É cinema-documentário sobre a vida comum de concidadãos meus. É gente que vive num contexto e foi assim que foi filmado”. Produzidos numa altura em que o realizador volta a sua atenção para o Sul do país e para as populações que habitam o planalto da Huíla, estes filmes atestam a vitalidade do seu projeto visual e político que, desde o começo, descentrou o seu olhar sobre a nação, investindo em modos de cinema que se fazem nas margens.
(Sofia Afonso Lopes)



