ZDB

Cinema

O Grande Kilapy

— Sessão #4 À escuta de Angola com Gita Cerveira

qui23.07.2619:00
Galeria Zé dos Bois


Fotograma de 'O Grande Kilapy' (2012).
Fotograma de 'O Grande Kilapy' (2012).
Fotograma de 'O Grande Kilapy' (2012).
Fotograma de 'O Grande Kilapy' (2012).
Zezé Gamboa, Gita Cerveira, Lázaro Ramos e Pedro Carraca durante as gravações de 'O Grande Kilapy' (2012).

Sessão #4 do ciclo de cinema À escuta de Angola com Gita Cerveira programado por Sofia Afonso Lopes.

Todas as sessões decorrem às quintas-feiras, às 19h, na ZDB.

O Grande Kilapy (2012) de Zezé Gamboa
(Fic., 97′)
A sessão será seguida de uma conversa com o realizador.

Com argumento de Luís Carlos Patraquim e inspirada numa personagem real, a segunda longa-metragem ficcional de Zezé Gamboa acompanha as aventuras e desventuras de Joãozinho das Garotas. Filho de um funcionário do Banco de Angola, Joãozinho chega a Lisboa nos anos sessenta para frequentar o Instituto Superior Técnico. Os estudos dão prontamente lugar à boémia, ao basquetebol no Sporting e aos muitos casos amorosos, um deles com a filha de um ministro português. Mais tarde, o seu envolvimento na fuga para o exílio de um dos seus amigos e subsequente interrogatório pela PIDE, precipitam o seu regresso a Angola. É em Luanda, onde arranja um trabalho nas Finanças, que vai dar um golpe (kilapy em kimbundo) no Estado português. Oscilando entre a comédia dramática, a sátira política e o “con-movie”, O Grande Kilapy propõe um roteiro inesperado pelos últimos anos do colonialismo português. Um filme sui generis – no melhor sentido da expressão – na história da cinematografia angolana.
(Sofia Afonso Lopes)

Zezé Gamboa

Nascido em 1955 na cidade de Luanda, Zezé Gamboa integrou, em Maio de 1974, os quadros da Radiotelevisão Popular de Angola (RPA), rebatizada Televisão Popular de Angola (TPA) pouco depois da independência. Nos anos oitenta, e após ter dirigido ao longo de seis anos os noticiários da TPA, parte para Paris onde se vem a formar em engenharia de som. A partir daí, trabalha no departamento sonoro de filmes como Balada da Praia dos Cães (1987) de José Fonseca e Costa ou Matar Saudades (1988) de Fernando Lopes. Em 1991, estreia-se na realização com Mopiopio (1991), documentário que se detém sobre a produção musical luandense num período de acesos conflitos civis e que virá a ser premiado no renomado Festival Pan-Africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (FESPACO). Paralelamente, prossegue a sua colaboração com outros cineastas tendo participado em Passagem por Lisboa (1994) de Eduardo Geada, Terra Estrangeira (1995) de Walter Salles e Daniela Thomas ou O Testamento do Senhor Nepomuceno (1997) de Francisco Manso. Em 1998, regressa à realização com Dissidência (1998), documentário que retoma o tema da guerra – desta feita por via do testemunho de cinco ex-combatentes do MPLA e da UNITA exilados na Europa – e que será selecionado para os festivais de Cannes, Bruxelas, Amiens e Zurique. Em 2004, assina a sua primeira longa-metragem ficcional, O Herói (2004), um retrato das dificuldades enfrentadas por um veterano da guerra civil que, mutilado em combate, procura reinserir-se numa Luanda e numa Angola também elas em processo de reconstrução. O filme valeu-lhe a atribuição de mais de duas dezenas de galardões, com destaque para o Grande Prémio do Júri no Festival de Sundance, selando a consagração do realizador no panorama cinematográfico internacional. Oito anos depois, estreia a sua segunda ficção, O Grande Kilapy (2012), cuja narrativa gravita em torno de Joãozinho das Garotas, uma espécie de Don Juan angolano que, engendrando um golpe nas Finanças, desafia o regime colonial português. A obra seria distinguida em vários certames, confirmando a projeção alcançada pelo realizador na década anterior. Com Tarrafal – Terra Longe (2025) regressa à linguagem documental, resgatando a memória dos presos políticos que passaram pela colónia penal fundada em 1936 pelo regime colonial português na ilha de Santiago. Atualmente, Zezé Gamboa encontra-se no processo de produção do seu mais recente filme, Aleluia, ambientado também no arquipélago cabo-verdiano.

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