ZDB

Cinema

Canta Angola

— Sessão #1 À escuta de Angola com Gita Cerveira

qui02.07.2619:00
Galeria Zé dos Bois


Ndengues do Kota Duro. 'Canta Angola' (2000). Cortesia de Ariel de Bigault.
Lourdes Van-Dúnem, Carlitos Vieira Dias, Galiano Neto e Grupo Kituxi. 'Canta Angola' (2000). Cortesia de Ariel de Bigault.
Paulo Flores. 'Canta Angola' (2000). Cortesia de Ariel de Bigault.
Carlos Burity. 'Canta Angola' (2000). Cortesia de Ariel de Bigault.
Gita nas gravações de Novatos da Ilha. Set de 'Canta Angola' (2000). Cortesia de Ariel de Bigault.

Sessão #1 do ciclo de cinema À escuta de Angola com Gita Cerveira programado por Sofia Afonso Lopes.

Todas as sessões decorrem às quintas-feiras, às 19h, na ZDB.

Canta Angola (2000) de Ariel de Bigault (Doc., 59′)
A sessão será seguida de uma conversa com a realizadora.

Rodado em Luanda em Janeiro de 2000, num momento em que o país se encontra ainda mergulhado no conflito civil que se arrasta desde 1975, Canta Angola regista a efervescente cena musical da capital para onde havia convergido cerca de um terço da população do território, em fuga da guerra ou na busca de novas oportunidades. Alternando entre gravações de ensaios ou concertos e entrevistas, o filme introduz o espectador ao universo musical de Angola pela mão e voz de alguns dos seus mais ilustres compositores e intérpretes. Da rebita de feição mais tradicional d’Os Novatos da Ilha às recriações do nhatcho e da kilapanga operadas pelos Irmãos Kafala, sem esquecer a influência dos Ngola Ritmos no semba de Carlos Burity ou de Paulo Flores, o documentário de Ariel de Bigault oferece à vista um retrato poliédrico da música angolana contemporânea e da sua permanente reinvenção.
(Sofia Afonso Lopes)

Ariel de Bigault

Nascida em Paris, foi em Portugal que Ariel de Bigault deu início ao seu percurso cinematográfico com a realização de Mulheres em Luta (1977), documentário filmado em Super 8 e que retrata a mobilização de camponesas, operárias e trabalhadoras domésticas no rescaldo do 25 de Abril. Na década seguinte, e já depois de ter produzido, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, Eduardo e Fernando (1981) e Estão a ver-nos? (1981), parte para o Brasil onde realiza Éclats Noirs du Samba (1987), série que mergulha nas raízes africanas de algumas das mais influentes correntes musicais do país, averiguando, concomitantemente, os processos de exclusão e discriminação que procuraram invisibilizar as comunidades afro-brasileiras. A sua preocupação com o universo cultural – e particularmente com o tecido africano ou afrodescendente que o compõe – será retomada em Afro Lisboa (1996), filme que conta com a participação de artistas como General D, Messias Botelho, Antónia Nascimento, Orlando Sérgio, Tony Tavares ou Mário Pereira. Na virada do milénio, desloca o olhar da capital portuguesa para Luanda com Canta Angola (2000), longa-metragem rodada num cenário ainda marcado pela guerra civil e que regista a criatividade musical do país pela mão e voz de alguns dos seus mais ilustres compositores e intérpretes. De regresso a Portugal, assina Margem Atlântica (2006), trabalho no qual revisita a efervescente cena cultural lisboeta recorrendo a testemunhos de músicos, escritores e atores cujos percursos pessoais e artísticos se entrelaçam, de formas distintas, com os continentes europeu e africano. Em 2020, estreia Fantasmas do Império (2020), obra que articula excertos fílmicos com reflexões críticas de modo a explorar as representações do imaginário colonial no cinema português do século XX. A par da sua atividade cinematográfica, dedicada, em grande medida, às sonoridades africanas e afrodiaspóricas, Ariel de Bigault desenvolveu também um notável trabalho de divulgação e preservação musical, sendo responsável pela edição discográfica de Antologia das Músicas de Cabo Verde 1959-1992 (2 CDs, 1995) e Músicas Urbanas de Angola 1956-1998 (5 CDs, 2000).

Programa Relacionado

Próximos Eventos

aceito
Ao utilizar este website está a concordar com a utilização de cookies de acordo com o nossa política de privacidade.