ZDB

Cinema

Carnaval da Vitória

— Sessão #2 À escuta de Angola com Gita Cerveira

qui09.07.2619:00
Galeria Zé dos Bois


Fotograma de 'Carnaval da Vitória' (1978).
Cartaz de 'Carnaval da Vitória' (1978). Cortesia da ANICC.
António Ole com Beto Moura Pires e Manuel Mariano. Cortesia da ANICC.

Sessão #2 do ciclo de cinema À escuta de Angola com Gita Cerveira programado por Sofia Afonso Lopes.

Todas as sessões decorrem às quintas-feiras, às 19h, na ZDB.

Carnaval da Vitória (1978) de António Ole
(Doc., 39′)
A sessão será seguida de uma conversa com Ana Paula Tavares, poeta e historiadora angolana.

O filme abre com a leitura do poema “Havemos de voltar” de Agostinho Neto, à qual se segue um discurso do então presidente de Angola em que este anuncia a realização dos primeiros festejos carnavalescos pós-independência. Perante uma multidão expectante – mulheres e homens, velhos e crianças, muitos deles envergando bandeiras e outras insígnias do MPLA – remata: “Não o Carnaval dos tugas que era só bailes; vamos fazer o Carnaval na rua como fazíamos antigamente!”

Oscilando entre os preparativos da celebração (a pintura do casco de um navio, a confeção de vestes e outros adereços), os ensaios de grupos como a União Kabetula do Morro Bento (que, após a independência, alterou o nome de modo a explicitar a sua adesão ao socialismo) e os desfiles que tomaram lugar no dia 27 de Março de 1978 (data escolhida pelo governo angolano com o intuito de assinalar a derrota sofrida, dois anos antes, pelas tropas sul-africanas às mãos do seu exército), Carnaval da Vitória de António Ole costura, com rara sensibilidade, o olhar do cineasta e do artista plástico, ambos atentos às cores, aos materiais e aos gestos que dão forma à festa popular.
(Sofia Afonso Lopes)

Ana Paula Tavares

Ana Paula Tavares nasceu na Huíla, em 1952. Fez o Bacharelato em História na então Faculdade de Letras do Lubango, concluindo posteriormente o Mestrado em Literaturas Africanas e o Doutoramento em Antropologia, na Faculdade de Letras de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa, respetivamente. Durante a guerra de libertação de Angola, participa em diversas iniciativas de alfabetização, ministradas clandestinamente nos locais de missionação e catequese. Após a independência do território, colabora na criação de manuais escolares de História de África e História de Angola. Ocupa também diversos cargos nas áreas da Cultura, Museologia e do Património, tendo sido delegada do Ministério da Cultura no Kwanza-Sul (1978-1980), Técnica Superior do Museu Nacional de Arqueologia de Benguela (1980-1983), Diretora Nacional do Património Cultural em Luanda (1985-1987) e Diretora do Gabinete Técnico da Secretaria de Estado da Cultura também na capital (1987-1991). A atividade docente, que inicia no Lubango quando, com apenas dezanove anos, leciona História de Portugal e Português na Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva, tem continuidade em Lisboa onde foi Professora na Universidade Católica Portuguesa (1994-2000) e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2010-2022). Em Angola, integrou a Comissão para a preparação do projeto de uma Faculdade de Ciências Sociais, bem como a Comissão de Reestruturação da Universidade Agostinho Neto, instituição na qual foi também Professora Convidada. No campo literário, um dos muitos domínios de atuação no qual se notabilizou, é autora de poesia, crónica e romance, tendo publicado, entre outros, Ritos de Passagem (1985), O Sangue da Buganvília (1998), Dizes-me coisas amargas como os frutos (2001), A Cabeça de Salomé (2004) ou Poesia Reunida seguida de Água Selvagem (2023). Membro da União dos Escritores Angolanos, a sua obra foi distinguida com o Prémio Literário Mário António (2004), o Prémio Nacional de Cultura e Artes de Angola (2007), o Premio Internazionale Ceppo/Pistoia (2013) e o Prémio Literário Guerra Junqueiro (2022). Muito recentemente, em 2025, foi a vencedora do Prémio Camões, o mais prestigiado galardão atribuído no âmbito da literatura produzida em língua portuguesa, com o júri a destacar a “fecunda e coerente trajetória de criação estética” da autora e, em particular, o seu “resgate da dignidade da poesia”.

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